A cobertura de Neymar

A TV brasileira fez todo mundo chorar neste fim de semana.

A TV brasileira fez todo mundo chorar neste fim de semana.

Neymar vai cair no Camp Nou.
Por um caminhão catalão de dinheiro, o jogador e o Santos chegaram ao acordo que sacramentou a sua tão especulada saída do Brasil. Em agosto, quando a nova temporada do futebol europeu começar, o atacante vestirá a camisa da Barcelona.
A imprensa, como não poderia deixar de ser, empregou grande esforço na cobertura do ato final de Neymar. Pelo menos na TV, o que se notou foi uma latente espetacularização, caminho diferente dos jornais, portais, rádios e revistas.

A exceção 
A sexta-feira, data da decisiva reunião entre Neymar, Santos e os interessados em contar com o jogador, foi o único momento de alento da TV no fim de semana.
Todos os canais que optaram pela cobertura ao vivo do encontro, especialmente o Sportv, ofereceram ao público um ótimo trabalho.
A falta de informações definitivas naquele momento não foi utilizada por nenhuma emissora como desculpa para um bombardeio de suposições. O espirito da mesa redonda de TV aberta ficou longe, bem longe.

Menino bom senso morreu
Com o adeus confirmado, faltando apenas o anúncio de algum detalhe sobre o acerto com o Barcelona, o sábado de Neymar na TV foi… um horror.
Foram incontáveis as passagens ufanistas do gênero “Menino Neymar foi chamado para recuperar o Barça”.
Para piorar, os muitos clipes exibidos pelas emissoras com firulas e dancinhas traziam um tom quase fúnebre. Pareciam tributos à memória.
A ESPN ainda tentou fazer algo diferente, o que não significou fazer algo melhor.
Para comunicar a exclusividade na transmissão do Campeonato Espanhol, nova casa de Neymar, a ESPN fez uma vinheta engraçadinha, misturando imagens de sua carreira e do Barcelona. A trilha foi o estrabilho “Eu quero Tchu”.

Pra corar o Carpinejar
Brasil não é Brasil sem um bom discurso.
Desde o “Esporte Espetacular” até o “Fantástico”, o que se viu foi uma terrível competição de versinhos e frases de impacto.
Foram evocados: orgulho nacional, pés descalços, bandeira verde e amarela, juventude, garra, ousadia e todos os demais clássicos da oratória normalmente repetidos por quem deseja garantir o clímax.
Na despedida de Neymar, o único clímax foi desligar a TV.

Está mais fácil saber quem matou Laura Palmer

Twin Peaks: Definitive Gold Box Edition. This ...

O box traz todos os episódios e excelentes extras. 

“Twin Peaks” sofre uma espécie de maldição no Brasil.

A primeira exibição, isto em 1991, na Globo, foi um retumbante fracasso de audiência.

Resultado? Guilhotina e geladeira.

21 anos depois, nova tentativa, desta vez no canal pago Viva.

Inserida na sessão “Clássicos em Série”, até começou bem. Mas, digamos, não teve oportunidade de terminar. Foi rifada. Está novamente no ar, aos sábados, mas, com um retrospecto tão feliz, quem se atreve a tentar de novo?

Bem, pelo menos temporariamente, os esforços poderão cessar.

A rara edição dourada de “Twin Peaks”, que reúne todos os episódios da primeira e da segunda temporada, além de fartos extras, voltou a pingar no mercado.

E com preço especial.

Parte de uma promoção da Livraria Cultura, ela pode ser adquirida por 40 reais.

Na loja do Conjunto Nacional a busca era bastante significativa. Um colaborador reportou a existência de 270 peças no estoque durante a manhã da sexta-feira (24). Às 21 horas do mesmo dia, o volume era bem menor.

Para evitar decepções, aviso desde já: a versão brasileira de “Twin Peaks Definitive Gold Box Edition” é bem mais simplória que a americana. Mas o que realmente importa está lá.