Antes de “Carrossel”, SBT usou intervalo comercial para comunicar liderança de audiência e atraso de filme

Silvio Santos: um rapaz sincero.

Silvio Santos: um rapaz sincero.

O cancelamento de “Carrossel” não foi a primeira aventura do SBT anunciada ao público via intervalo comercial.

Em 1998, para comunicar uma vitória de Gugu sobre Faustão, Silvio Santos ditou um texto (podem reparar, em qualquer comunicado do SBT há um tom pimpão, de tio churrasqueiro) com as médias de ibope a cada trinta minutos ilustradas por desenhos dos apresentadores em um ringue de boxe.

Dez anos antes, para bater a Globo, o recurso foi acionado para avisar o novo horário de “Rambo”.

Programado para as 21h30, o filme foi atrasado até o fim de “Vale Tudo”, que teve capítulo duplo naquele dia.

Resultado: o SBT ficou 50 minutos apenas com a mensagem “Não se preocupe, quando terminar a novela da Globo você vai ver: Rambo”.

A Globo obteve picos acima dos 80 pontos quando enfrentou a tela congelada da concorrente, mas levou de 40 a 15 quando Stallone começou a atirar.

Anúncios

Dono do SBT, Silvio Santos encerra programa sem saber o nome da próxima atração

Silvio Santos poderia definir a grade do SBT em um sorteio da Tele Sena.

Silvio Santos poderia definir a grade do SBT em um sorteio da Tele Sena.

Incomodado com as sucessivas derrotas para o “Domingo Espetacular”, Silvio Santos realizou mudanças na programação do SBT.

O “Domingo Legal”, antes exibido das 11h às 15h, perdeu 2 horas de duração. Assim, o programa “Eliana” foi antecipado para as 13h. Tudo para “Roda a Roda” e “Programa Silvio Santos” entrarem no ar às 17h, quando a Record exibe “O Melhor do Brasil” – a ideia, segundo os números prévios, não foi muito boa, pois Rodrigo Faro marcou 10 pontos ante 7 da dobradinha da Anhanguera.

Para preencher as 2 horas vagas do horário nobre, uma edição especial de “Conexão Repórter” foi escalada às 22h. A escolha pelo jornalístico foi tão súbita que deixou o próprio Silvio Santos sem rumo. No encerramento de seu programa, ele foi incapaz de anunciar a próxima atração do SBT.

Quando a grade era estável, o apresentador simulava uma passagem de guarda para Marilia Gabriela. Perdido em suas próprias mudanças, o dono do canal resumiu sua despedida à fala “Tenho certeza que vocês continuarão com a programação do SBT”.

Não é a primeira vez que um apresentador passou apuros com a grade flutuante do canal. Em 2008, durante o telejornal “SBT Brasil”, os âncoras travaram na hora do “boa noite”.

“Chiquititas” é herança maldita

Elenco de "Chiquititas". O esforço nem sempre vale a pena.

Elenco de “Chiquititas”. O esforço nem sempre vale a pena.

O SBT quer ser o grande polo da teledramaturgia brasileira. De novo.

Quem tem mais de 20 anos sabe que não é a primeira vez que Silvio Santos acordou entusiasmado com as possibilidades de audiência e faturamento que as novelas podem render. Sabe, também, como isso pode machucar as retinas.

Em 1996, por exemplo,  a “TV mais feliz do Brasil” resolveu lançar três folhetins de uma só vez: “Colégio Brasil”, uma espécie de “Malhação” vivida no Rochdalle, “Razão de Viver”, cujas falas poderiam ilustrar aqueles PPTs com imagens de flores e cães felizes, e “Antônio Alves, Taxista”, o degrau mais desgraçado da carreira de Fábio Jr.  Após dezoito (eu sei, o número é bem maior) mudanças de horário, todas foram sumariamente substituídas pela Thalia. Findava outro projeto de Silvio Santos, o Vanderlei Luxemburgo das telenovelas.

O grande problema da ficção brasileira não é a falta de dinheiro, mas sim a falta de criatividade de quem se mete a desenvolvê-la. O país tem, sim, anunciantes e investidores dispostos a arriscar. Basta alguém oferecer um bom projeto. Como é muito trabalhoso escrever um roteiro original, montar um exército de profissionais, selecionar um bom casting e contratar uma equipe técnica eficiente, a intelligentsia noveleira opta por aplaudir qualquer pateta com capital próprio (no caso, o SBT). No lugar da verdadeira criação, o processo é resumido a manifestações de pura e simples adulação. Esse fenômeno, notado também no cinema, explica, entre outras coisas, porque o Netflix jamais geraria “House Of Cards” ou “Orange Is The New Black” caso fosse brasileiro.

Não quero cravar com este artigo que o conchavo e o corporativismo devem ser apagados do país. Não existe Brasil sem conchavo e corporativismo. Porém, tudo tem um limite. Ninguém precisa entender muito de roteiro ou televisão pra saber que “Chiquititas” é um completo desastre. Cheia de cores e analogias cretinas sobre a imaginação das crianças, a abertura é uma azia visual. O texto, insosso, lembra as deixas do “Telecurso 2º Grau”. A interpretação dos atores veteranos é digna de pena – Carla Fioroni, a zeladora Ernestina, passeia pelo orfanato como se procurasse o banco de Carlos Alberto de Nóbrega. Sem qualquer tino de atuação, os intérpretes mirins, supostas estrelas da novela, parecem aquelas crianças prodígio que repetem “Itaquaquecetuba” para o Raul Gil ajoelhado no palco. Por que parabenizar o SBT? Por que parabenizar Iris Abravanel?

“Chiquititas” deve sair do ar apenas em 2014. Preparem-se para o remake do remake de “Carrossel”. O projeto não tem fim.

Os piores programas de namoro da TV brasileira

O mau gosto tem um enorme coração.

O mau gosto tem um enorme coração.

Quase todo dia é dia dos namorados para a televisão brasileira.

As emissoras até se esforçam para colocar algo inovador no ar, como um programa que reforma casas ou um reality show com cantores espontâneos e desafinados, mas nada, pelo menos até hoje, conseguiu fisgar os corações doloridos dos telespectadores.

A lista a seguir relembra as piores atrações apaixonadas da telinha. Os quadros enfadonhos, os temas insuportáveis.

Prepare o José Augusto que existe em você.

Em Nome do Amor
SBT

Silvio Santos leva títulos de capitalização a sério. E só. O “Em Nome do Amor” foi exibido entre 1994 e 2000. O pitoresco tapete em forma de coração era a maior estrela do programa. Porque era enorme. Porque era de profundo mau gosto. Quando artistas caídos não iam para o palco receber uma homenagem sem vergonha, geralmente narrada pelo Lombardi (R.I.P), algum popular aparecia em rede nacional para se declarar.

No encerramento, Silvio chamava o quadro de maior audiência. Funcionava assim: rapazes e mocinhas ficavam se paquerando com um binóculo (!). Depois do flerte old school – e nerd-, uma dancinha ao som de Julio Iglesias começava. Os casais formados recebiam, após uma indiscreta entrevista, flores. Honestamente, eu trocaria por uma Tele Sena.


Xaveco
SBT

Sistema Brasileiro de Televisão. Again. O “Xaveco” começou nas mãos de Silvio Santos. Como ele é dono da emissora e não é obrigado a passar vergonha, transferiu a atração para Celso Portioli na segunda temporada. Mistura de “Passa ou Repassa” com “Namoro ou Amizade?”, ele reunia dezenas de jovens para uma gincana de perguntas e respostas. O dono do melhor xaveco ganhava o coração da pretendente e um prêmio em dinheiro.


Beija Sapo
MTV

Daniella Cicarelli é boa apresentadora. Juro. Mas não comandou um bendito programa decente em sua carreira.

O “Beija Sapo” reunia uma porção de jovens encalhados com predileção a jogos de azar.

Tudo começava com a chegada do príncipe (ou da princesa). Ele explicava suas intenções e era apresentado a 3 sapos/pererecas.

Deitado (a) em uma cama, o coração entristecido acompanhava as provas mais imbecis já exibidas na TV brasileira.

Após o intenso processo seletivo, finalmente acontecia o beijo.