Os 15 minutos de Marcelo Adnet

Marcelo Adnet não se encontrou na Globo. Pode levar 15 minutos. Ou  meses.

Marcelo Adnet não se encontrou na Globo. Pode levar 15 minutos. Ou meses.

Marcelo Adnet lançou ontem, seu novo projeto na Globo. No embalo dos 40 anos do “show da vida”, vai parodiar os clipes produzidos pelo programa, acrescendo letras contemporâneas. Em jogo, a possibilidade de mudar sua condição perante o público, muito bem resumida em entrevista concedida à colunista Keila Jimenez: “Antes (na MTV) eu era genial, agora sou vendido”.

Verdade seja dita, a primeira aparição do humorista na emissora não foi mesmo um primor. Ela aconteceu na série “O Dentista Mascarado”, bobagem sem pé nem cabeça assinada por Fernanda Young, a moça dos predicativos ilusórios.

Protagonista da produção, ele destoava dos atores que o cercavam. Não porque é mau profissional, mas pela diferença estrutural entre o novo e o antigo ofício. Acostumado aos esquetes rápidos do “Quinta Categoria”, Adnet foi empurrado, sem cerimônias, para um roteiro de quase 40 minutos. Faltou algo para carburá-lo.

Encerrada a temporada ficcional, foi a vez de acenar para o público do Fantástico, seu destino elementar. Durante a Copa das Confederações, criou brincadeiras, claro, sobre futebol. Não foi engraçado como o esperado, mas também não foi um ultraje, como alguns fãs defenderam.  Foi apenas… diferente.

Diferente. Assim podemos classificar o trabalho do humorista na Globo, por enquanto. Não tem a ver com “ser vendido”, mas sim com “estar deslocado”. Acostumado ao humor rápido, forrado de referências à cultura pop, agora ele se vê em um novo mercado. Continua a dialogar com pessoas de 15 a 34 anos pertencentes às classes A e B das capitais, o target padrão da MTV, mas também precisa conversar com as pessoas das classes C, D e E. E com os mais velhos. E com todas as regiões do país.

Marcelo Adnet vai precisar de bem mais que os 15 minutos que o lançaram ao sucesso para adequar seu estilo à diversificada audiência da Globo. Ele entende o ponto. A própria Globo entende o ponto. Falta apenas o público entender. Isso, claro, caso exista o interesse em entender. Afinal, em quinze minutos, outra novidade pode surgir. Melhor ou pior.

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O que você não deve assistir no fim de semana #8

"As Aventuras de Agamenon" é uma das bombas do Telecine Fun neste fim de semana.

“As Aventuras de Agamenon” é uma das bombas do Telecine Fun neste fim de semana.

A lista dos piores programas do fim de semana revela algo grave: o rancor nunca esteve tão presente no coração dos programadores do Telecine Fun.

Fique de olho nas dicas. Tenha muito cuidado ao zapear.

As Aventuras de Agamenon, o Repórter
Sexta, 23h40, Telecine Fun

Por que não assistir? Quem implica com os primeiros passos de Marcelo Adnet na TV Globo provavelmente não acompanhou os primeiros passos dele no cinema. A interpretação é farsesca. O humor inexiste.

 

Supernanny
Sábado, 21h30, SBT

Por que não assistir? A babá que fala portunhol só sabe colocar as crianças em cantinhos, incentivar dinâmicas de RH e fazer merchandising. Bem que poderiam ajoelhar essa mulher no tapete da disciplina.

 

Pequenos Espiões
Domingo, 5h15, Telecine Fun

Por que não assistir? O horário e o título deveriam bastar para alertar o telespectador, mas sempre há gente desavisada do mundo. A única informação que passarei: o Antonio Banderas precisava pagar o conserto da geladeira e topou fazer esse filme. A alma dele morria a cada fala.

 

Marley & Eu
Domingo, 12h30, Globo

Por que não assistir? Comédia romântica mais patética da década. Garoto apaixonado resolve juntar escovas com garota apaixonada. Subitamente, decidem ter um cão. Muito do arteiro, o cão arma “as mais incríveis confusões”, arrancando risos patéticos do casal, cada vez mais unido. Com o tempo, o cão envelhece e morre, arrancando lágrimas patéticas do casal, ainda mais unido. Enfim, poupe-se da humilhação de rir e chorar com os atores. Porque você pode ter certeza que vai se emocionar com esta porcaria, querido leitor encalhado.

 

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros
Domingo, 22h, Telecine Premium

Por que não assistir? Mistura de History Channel com “Supernatural”. Sinceramente, não sei porque Lincoln caiu tanto no conceito dos americanos. Primeiro botam ele de Sam Winchester. Depois, em outro filme, aparecem com ele casado com a Sally Field. Respeitem o cara, pessoal.