O bom negócio da HBO

"O Negócio": novo drama da HBO.

“O Negócio”: novo drama da HBO.

A HBO aprendeu com o erro de “FDP”.

Sua nova série, “O Negócio”, focada em um grupo de prostitutas que aposta em ações de marketing para turbinar a lista de clientes, passou longe da tentação do estereótipo.

Não há vitimismo, crítica social ou filosofia barata a respeito do direito de vender o corpo. Nem análise ideológica do papel da propaganda no homem contemporâneo.

As personagens, dúbias sob o aspecto moral, demonstram o tempo todo controle sobre o que pensam e fazem, ignorando o caráter duvidoso de suas opções e a influência deste comportamento à imagem delas. São o que são. Cobram o que pensam valer.

Ao focar a psicologia em detrimento da sociologia, “O Negócio” manda um ótimo recado: há espaço para uma ficção menos romântica na TV.

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O que você não deve assistir no fim de semana prolongado

Brazilian actress Denise Fraga.

Denise Fraga lidera “3 Teresas”

Prestação de serviço no “Teleguiado”.

Na contramão da maioria dos veículos e blogs sobre TV, que publicam release até da TV Gazeta, nós vamos, uma vez por semana, analisar a programação das emissoras e indicar O QUE NÃO DEVE SER ASSISTIDO.

É uma ideia cretina, óbvia, mas felizmente virgem. Ninguém fez isso antes. Tenho umas teorias sociais para tamanha falha, mas não quero a Marilena Chauí me ofendendo depois.

Preparados? Vamos à lista. Agradeçam meu esforço compartilhando o texto nas redes sociais, enviando sugestões e, mais importante, enviando dinheiro pro blogueiro aqui.

 
Fique longe de…

“Espelho, Espelho Meu”
Quinta-feira, 0h, Telecine Premium

Por que não assistir? Primeiro bom motivo: Julia Roberts. Se ela já parece insuportável fazendo o papel de mocinha ferrada que dá a volta por cima nos 15 minutos finais, imagine só ela no papel de vilã. Nesta livre adaptação de conto de fadas, ela é a rainha má. Para ser literal, a rainha má na interpretação. Lily Collins, a “mocinha” da história, merece menção especial. Conseguiu construir uma “Branca de Neve” indie. Suas expressões, não raro, lembram Amélie Poulian – outro bom motivo pra ver o “Medalhão Persa”.


“Battleship”
Quinta-feira, 22h, Telecine Premium

Por que não assistir? Rihanna tem um objetivo: ser a nova Whitney Houston. Na categoria “consumo de drogas”, arrisco dizer que já superou. Em relação à música e cinema, não. Sua atuação em “Battleship” é absolutamente mecânica. Ela não consegue nem fingir que tem intimidade com as câmeras. A adaptação do jogo da Hasbro também é um desastre em relação ao roteiro. Você já é obrigado a aguentar “Diamonds” no rádio a cada 15 minutos. Tire uma folga da Rihanna pelo menos na TV.


“E Aí… Comeu?”
Sexta-feira, 19h55, Telecine Premium

Por que não assistir? Antes, vou deixar bem claro: não sou funcionário da HBO. É que a programação do Telecine Premium está realmente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a. Fica difícil citar os outros canais quando uma reprise de “E Aí… Comeu?” é sacada. Bruno Mazzeo, o rapaz que cobra obras intelectuais no Twitter, é a mente brilhante deste marco do cinema nacional. As piadas, muito inteligentes, parecem todas extraídas de um velho quadro do “Canarinho”, na “Praça é Nossa”. Os trocadilhos, suspeito, foram retirados de um programa ainda mais antigo. Enfim, chegamos ao século 21 para ver a primeira chanchada sem sexo e sem graça da história do Brasil.

 

Séries Nacionais 
Sexta-feira, das 21h30 às 23h30, GNT

Por que não assistir? O GNT reprisa às sextas, numa tacada só, suas quatro produções nacionais: “Copa Hotel”, “3 Teresas”, “Surtadas na Yoga” e “As Canalhas”. O programador do canal, certamente sádico, faz isso na esperança do telespectador mais distraído considerar uma série um pouco melhor que as outras para, quem sabe, assisti-la fixamente. A estratégia teria fundamento se uma das quatro séries fosse minimamente melhor que a outra. Porque nenhuma delas é sequer regular.

“Copa Hotel” fica na velha lenga-lenga do “apresentar um mosaico dos brasileiros”. O pano de fundo é um hotel em Copacabana. Pior que a ideia é a execução, como sempre.

O conflito de gerações é a temática de “3 Teresas”, protagonizada por Denise Fraga. O humor, monótono, lembra demais as esquetes que a própria Denise Fraga fazia no “Fantástico”. Acho que ninguém quer isso de volta.

“Surtadas na Yoga” traz, de novo, Fernanda Young berrando. Dizem que Obama prometeu a Raul Castro o fim do embargo quando Fernanda Young mudasse de assunto e parasse de falar sobre gente estressada. Creio que foi uma maneira gentil de dizer “não vou anular o embargo”. Porque nós todos morreremos e Fernanda Young continuará lá, escrevendo “Surtadas no INSS”, “Irritadas no caixa rápido”, “Enfurecidas no caixa eletrônico”.

“As Canalhas”, baseada em um livro de Martha Mendonça, é uma versão envergonhada – e com piores atrizes – de “As Brasileiras” e “As Cariocas”, séries exibidas na Globo. O mesmo formato, óbvias diferenças nas histórias e a esperança dos 22 minutos passarem rapidamente.

O GNT já era um canal feminino mergulhado na menopausa antes das cotas de produtos nacionais. Conseguiu piorar. Irritante, diria Fernanda Young.

 

“Menino de Ouro”
Domingo, 10h, SBT

Por que não assistir? É um reality show de futebol. Apresentado pela Karina Bacchi. Acho que já respondi a questão.