O que você não deve assistir no fim de semana #5

Zac Efron em "Um Homem de Sorte". Sortudo é o cidadão sem TV.

Zac Efron em “Um Homem de Sorte”. Sortudo é o cidadão sem TV.

Roupa Nova, animais em pânico e Zac Efron.

Saque o controle remoto, a faixa de protesto e fique de olho na lista da semana. 


Fique longe de…

“Behind The Music: Ice Cube”
VH1, sexta, 21h

Por que não assistir? O Behind The Music foi inventado para contar “vida, carreira, sucesso e tragédia” dos artistas. Ice Cube não é artista nem nos Estados Unidos nem no palco do Raul Gil. Logo, qual a lógica do programa?


“Vídeos Divertidos do Animal Planet”

Animal Planeta, sábado, 14h

Por que não assistir? É uma reunião de imbecis. Tem o imbecil que filma, o imbecil que acha bonito testemunhar o próprio cão levar um tombo, o imbecil com voz irritante que narra passo a passo a infelicidade do animal e o imbecil que assiste e acha graça. Reserve este horário para lavar o quintal. Quem sabe você escorrega e lança o “Vídeos Divertidos do Cretino”.


“Um Homem de Sorte”

HBO, sábado, 22h

Por que não assistir? Sargento da Marinha americana encontra uma foto durante sua passagem pelo Iraque. Encantado, decide carregar a imagem da jovem consigo. Conforme escapava dos ataques, reforçava a ideia de que a fotografia era uma espécie de amuleto que o livrava do mal. De volta aos Estados Unidos, decide encontrar a desconhecida mulher impressa naquele pedaço de papel. Após localizá-la, começa a trabalhar para ela. Subitamente se apaixonam. Não, não é a sinopse da próxima novela da esposa do Silvio Santos. É  a sinopse do filme que a HBO resolveu exibir às 22h de um sábado. “Um Homem de Sorte”, neste caso, é aquele sem televisão.


“Music Box In Concert – Roupa Nova Acústico”
Music Box Brazil, domingo, 10h30

Por que não assistir? Porque você não precisa assumir pra ninguém que ficou pra titio (a). Encare sua ruína amorosa de maneira digna. Se você é casado, não assista porque seus filhos precisam de um exemplo legal.

 

“Olívias na TV”
Multishow, domingo, 22h

Por que não assistir? É uma versão ficcional (e piorada) do “Saia de Justa”. Mais urgente que a reforma política é a reforma da dramaturgia no Multishow.

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O que você não deve assistir no fim de semana prolongado

Brazilian actress Denise Fraga.

Denise Fraga lidera “3 Teresas”

Prestação de serviço no “Teleguiado”.

Na contramão da maioria dos veículos e blogs sobre TV, que publicam release até da TV Gazeta, nós vamos, uma vez por semana, analisar a programação das emissoras e indicar O QUE NÃO DEVE SER ASSISTIDO.

É uma ideia cretina, óbvia, mas felizmente virgem. Ninguém fez isso antes. Tenho umas teorias sociais para tamanha falha, mas não quero a Marilena Chauí me ofendendo depois.

Preparados? Vamos à lista. Agradeçam meu esforço compartilhando o texto nas redes sociais, enviando sugestões e, mais importante, enviando dinheiro pro blogueiro aqui.

 
Fique longe de…

“Espelho, Espelho Meu”
Quinta-feira, 0h, Telecine Premium

Por que não assistir? Primeiro bom motivo: Julia Roberts. Se ela já parece insuportável fazendo o papel de mocinha ferrada que dá a volta por cima nos 15 minutos finais, imagine só ela no papel de vilã. Nesta livre adaptação de conto de fadas, ela é a rainha má. Para ser literal, a rainha má na interpretação. Lily Collins, a “mocinha” da história, merece menção especial. Conseguiu construir uma “Branca de Neve” indie. Suas expressões, não raro, lembram Amélie Poulian – outro bom motivo pra ver o “Medalhão Persa”.


“Battleship”
Quinta-feira, 22h, Telecine Premium

Por que não assistir? Rihanna tem um objetivo: ser a nova Whitney Houston. Na categoria “consumo de drogas”, arrisco dizer que já superou. Em relação à música e cinema, não. Sua atuação em “Battleship” é absolutamente mecânica. Ela não consegue nem fingir que tem intimidade com as câmeras. A adaptação do jogo da Hasbro também é um desastre em relação ao roteiro. Você já é obrigado a aguentar “Diamonds” no rádio a cada 15 minutos. Tire uma folga da Rihanna pelo menos na TV.


“E Aí… Comeu?”
Sexta-feira, 19h55, Telecine Premium

Por que não assistir? Antes, vou deixar bem claro: não sou funcionário da HBO. É que a programação do Telecine Premium está realmente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a. Fica difícil citar os outros canais quando uma reprise de “E Aí… Comeu?” é sacada. Bruno Mazzeo, o rapaz que cobra obras intelectuais no Twitter, é a mente brilhante deste marco do cinema nacional. As piadas, muito inteligentes, parecem todas extraídas de um velho quadro do “Canarinho”, na “Praça é Nossa”. Os trocadilhos, suspeito, foram retirados de um programa ainda mais antigo. Enfim, chegamos ao século 21 para ver a primeira chanchada sem sexo e sem graça da história do Brasil.

 

Séries Nacionais 
Sexta-feira, das 21h30 às 23h30, GNT

Por que não assistir? O GNT reprisa às sextas, numa tacada só, suas quatro produções nacionais: “Copa Hotel”, “3 Teresas”, “Surtadas na Yoga” e “As Canalhas”. O programador do canal, certamente sádico, faz isso na esperança do telespectador mais distraído considerar uma série um pouco melhor que as outras para, quem sabe, assisti-la fixamente. A estratégia teria fundamento se uma das quatro séries fosse minimamente melhor que a outra. Porque nenhuma delas é sequer regular.

“Copa Hotel” fica na velha lenga-lenga do “apresentar um mosaico dos brasileiros”. O pano de fundo é um hotel em Copacabana. Pior que a ideia é a execução, como sempre.

O conflito de gerações é a temática de “3 Teresas”, protagonizada por Denise Fraga. O humor, monótono, lembra demais as esquetes que a própria Denise Fraga fazia no “Fantástico”. Acho que ninguém quer isso de volta.

“Surtadas na Yoga” traz, de novo, Fernanda Young berrando. Dizem que Obama prometeu a Raul Castro o fim do embargo quando Fernanda Young mudasse de assunto e parasse de falar sobre gente estressada. Creio que foi uma maneira gentil de dizer “não vou anular o embargo”. Porque nós todos morreremos e Fernanda Young continuará lá, escrevendo “Surtadas no INSS”, “Irritadas no caixa rápido”, “Enfurecidas no caixa eletrônico”.

“As Canalhas”, baseada em um livro de Martha Mendonça, é uma versão envergonhada – e com piores atrizes – de “As Brasileiras” e “As Cariocas”, séries exibidas na Globo. O mesmo formato, óbvias diferenças nas histórias e a esperança dos 22 minutos passarem rapidamente.

O GNT já era um canal feminino mergulhado na menopausa antes das cotas de produtos nacionais. Conseguiu piorar. Irritante, diria Fernanda Young.

 

“Menino de Ouro”
Domingo, 10h, SBT

Por que não assistir? É um reality show de futebol. Apresentado pela Karina Bacchi. Acho que já respondi a questão.