O palanque do Jô

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Marina no “Programa do Jô”, Dilma no “Programa do Ratinho”. Próximo passo é Aécio Neves no show do João Kléber.

A participação de Marina Silva no “Programa do Jô” lançou um novo formato para a TV brasileira: o talk show eleitoral gratuito.

As perguntas do apresentador e das jornalistas que formam “As Meninas do Jô” pareciam ter a suprema e inabalável função de promover a ex-senadora, que acabou de se filiar ao PSB de olho na eleição presidencial de 2014.

A moleza dos entrevistadores propiciou a mais aborrecida sequência de frases feitas do ano.

Questionada sobre as intenções eleitorais, Marina lançou um blasé “eu não tenho como objetivo de vida ser presidente da República. Tenho como objetivo de vida um país melhor e um mundo melhor.”

Sobre objetivos, anunciou a máxima “aposentar a velha República e chamar a nova República”, repetida desde a época em que Eduardo Suplicy era new age.

Em relação à estratégia de governo, emulou o PMDB para concluir que “os ganhos da política econômica de FHC devem ser ampliados, assim como os ganhos da política social do Lula”.

Como um Pokémon, a provável vice (ela não confirmou sua posição na chapa de Eduardo Campos) repetia a cada 60 segundos as deixas “ativismo”, “reivindicação”, “mobilização”, “desenvolvimento sustentável”, “juventude”, “agentes”, “nação”, “rua” e “reivindicação”.

Muito ousada, ela formulou, em vários momentos, para deleite de Jô Soares, declarações misturando todas as expressões, casos de “juventude que veio pra rua”, “agente para mudar a nação” e “pauta de reivindicação”.

Antes de encerrar a assessoria de imprensa disfarçada de bate-papo, com direito a lágrimas, elogios rasgados e algum humor de ocasião, Jô pediu à equipe de Marina que “cuidem dela, por favor”.

Do programa dele, ninguém cuida faz muito tempo.

Kitchen Nightmares

Rodrigo Hilbert assinou contrato para ser cozinheiro.

Rodrigo Hilbert assinou contrato para ser cozinheiro.

Cada vez mais parecido com o Fox Life, o GNT tem investido aborrecidamente em programas de culinária “fora da caixinha”.

A segunda temporada de “Tempero de Família”, estreia da semana passada, dá bem o tom da inovação buscada pelo canal.

Para quem não sabe, o chef do programa não é um chef. É um apresentador que ninguém sabe como é considerado apresentador por alguém. Falo, claro, de Rodrigo Hilbert, modelo que faz, também, umas pontas como ator.

Muito simpático, ele sempre abre o programa explicando o contexto das receitas do dia a dia. Na ocasião do episódio, ele foi incumbido de preparar os quitutes da festa de aniversário do filho dele.

Antes da chegada à cozinha, devidamente ornamentada para parecer uma dependência de fazenda velha, as imagens fizeram questão de valorizar as poucas crianças convidadas para cantar parabéns, selecionadas a dedo para representar cada descendência presente no Brasil – ou aquilo era figuração ou o pessoal furou o convite.

A primeira criação do episódio foi a massa do pastel de carne. Acompanhado pela mãe, Hilbert fez questão de fazer tudo sozinho. Desde a mistura dos ingredientes até o manuseio da massa.

Bastante natural em sua função, algo raro neste formato, o aventureiro das panelas consegue criar um estilo dentro da curta duração do programa – 30 minutos somados os comerciais. Algo que falta para a equipe de edição e pós-edição.

Sob a ótica de quem precisa anotar todo o desenrolar da receita para poder executá-la, a sensibilidade de Rodrigo Hilbert é quase inútil, pois não existe um acompanhamento adequado do gerador de caracteres. Quem derrubou a caneta no chão perdeu o fio da meada com toda a certeza. Nem notou, por exemplo, que o cardápio trazia ainda cajuzinho, brigadeiro, risole e bolo.

Fernanda Lima, esposa do promoter e mãe do dono da festa, apareceu no fim da gravação para comer docinhos e cantar o “parabéns”, válido para o aniversariante e para o telespectador que aguentou tudo sem mudar de canal ou apelar ao delivery. 

HBO lança “Behind The Candelabra” no sábado

"Behind The Candelabra": status de estreia da semana.

“Behind The Candelabra”: status de estreia da semana.

Vencedor de 11 prêmios Emmy, o telefilme “Behind The Candelabra” estreia no Brasil neste sábado, 19 de outubro, às 22 horas, dentro da principal sessão do canal HBO.

Liderado por Michael Douglas, o roteiro conta a história do pianista gay Valentino Liberace, um dos principais astros do showbiz americano. Seu envolvimento amoroso com o hoje presidiário Scott Thorson, interpretado por Matt Damon, é o fio condutor da história.

Confira o trailer

O dia em que Raul Gil foi assessor de imprensa de Fernando Collor

Por ação voluntária ou não, Raul tirou o chapéu para Collor em 1999

Por ação voluntária ou não, Raul tirou o chapéu para Collor em 1999

Quadro mais popular do “Programa Raul Gil”, o “Para quem você tira o chapéu?” serviu de assessoria de imprensa para Fernando Collor de Mello em 11 de setembro de 1999.

Disposto a concorrer à Prefeitura de São Paulo no ano seguinte, o ex-presidente resolveu trocar as entrevistas em telejornais por aparições em programas de auditório, terreno livre da contundência dos repórteres (pelo menos dos dispostos a incomodá-lo) e bastante adequado para o populismo retórico que o consagrou em 1989.

Collor foi chamado ao palco por ‘seu’ Raul como se fosse Jesus Cristo, conforme bem descreveu Fernando De Barros e Silva no extinto suplemento TV Folha, oito dias após a exibição da entrevista. O tom era “quem nunca errou?”.

Ele tirou o chapéu para Reginaldo Rossi, para o povo brasileiro (pra quem tirou a poupança, tirar o chapéu é fácil mesmo) e para os aposentados. Reprovou Itamar Franco, FHC e Celso Pitta, então prefeito da capital paulista.

O festival de lágrimas e críticas garantiu a maior audiência da segunda passagem de Raul Gil pela Record – ele saiu em 1996, foi à Manchete, deu com os cornos no muro, e retornou em 1998. Foram 22 pontos de pico, alguns minutos na liderança e a dilatada média de 15 pontos, resultado que só alcançaria novamente em 2000, quando enfrentava a implantação do “Caldeirão do Huck”.

Abaixo, os números dos programas mais vistos entre 6 e 12 de setembro de 1999

GLOBO
Suave Veneno  41
Fantástico  38
Jornal Nacional  36
Andando Nas Nuvens  35
Globo Repórter  33
Curiosidade: O “Fantástico” colocava Cid Moreira no meio do bloco de intervalos comerciais para convidar o público a não trocar de canal.

SBT
Domingo Legal  23
Topa Tudo Por Dinheiro  21
Tela de Sucessos  19
Usurpadora  19
Ratinho  19
Curiosidade: Ratinho teve sua melhor fase no SBT exatamente durante o confronto com “Suave Veneno”, uma das piores novelas das 8 produzidas pela Globo.

RECORD
Raul Gil  15
Cidade Alerta  15
Amigos & Sucessos  12
Quarta Total  11
Louca Paixão  10
Curiosidade: “Quarta Total” era o game show do Gilberto Barros.

BAND
Brasileirão 12
Brasileirão  8
Copa Mercosul  6
Brasileirão  6
Show do Esporte  5
Curiosidade: A Band transmitiu com exclusividade alguns jogos da Copa Mercosul, espécie de Copa Sul Americana dos anos 1990.

MANCHETE/REDETV!
Jornal  2
Toque de Bola  1
Jiraya  1
Show Business 1
Clio  1
Curiosidade: A RedeTV! assumiu o canal 9 em maio de 1999. Sua estreia oficial, porém, data de 15 de novembro.

GAZETA
Sérgio Mallandro 6
Sérgio Mallandro 4
Mesa Redonda 4
Mulheres  4
Mulheres  4
Curiosidade: O “Mulheres” somava 12 pontos de pico quando exibia, às 16 horas, um desfile bastante animado de roupas íntimas. Era o “Mulheres” de olho na garotada.