VH1 R.I.P

Nova identidade visual do canal.

Nova identidade visual do canal.

Cadê a música?

A nova grade de programação da VH1, apresentada a nós como a irmã mais velha da MTV, colocou a cultura pop no bolso e praticamente isolou os clipes em faixas periféricas.

Da velha guarda, nem o “Zzz”, generoso bloco insone que mesclava vídeos novos e velhos, conseguiu nova chance.

O primeiro clipe da madrugada sai da caixinha só às 3 da manhã, dentro da playlist “NEO”, também veiculada às 19 horas. A faixa dedicada aos clássicos, exibida antes do “Zzz” anos atrás, mudou de nome, estilo e horário. Fica no buraco das 5 da manhã, no breu entre o sono profundo e a agonia de não ter pregado o olho sabendo que o despertador está prestes a tocar.

Durante as manhãs a situação é menos caótica. Todas as horas são preenchidas com música. Além do VH1 Solar, servido após o desjejum da audiência, a VH1 reprisa (!) algumas sequências vespertinas e noturnas, como a “Moods”, a “Megahits” e  a “10 clipes 10”, versão diminuta de “Os 60 Melhores Clipes”, programa que se perdeu nas drogas e qualquer dia protagonizará um “Behind The Music”.

A grade “não musical” do canal também piorou consideravelmente desde a recauchutagem promovida no trimestre. Além das infinitas reprises de “Storytellers”, “Biografia”, “That Metal Show” e “Video Killed The Radio Star”, que incomodam muito, a emissora resolveu apostar em programas de comportamento e estilo com uma pegada muito mais parecida com a do “Glitz”. Estratégia para agregar público que pode, antes de render resultados, afugentar os antigos telespectadores.

Passo a passo, a VH1 parece repetir no Brasil os erros da direção da MTV. É verdade que o YouTube gerou uma nova cultura no consumo de vídeos, que influencia até a ficção (daí as webséries, tão valorizadas), mas a migração não é total, como supõem os diretores dos canais musicais.

Nos Estados Unidos, MTV e VH1 iniciaram o corte dos clipes antes mesmo do iPhone porque possuíam canais satélites – como a MTV2. No Brasil, o máximo que temos neste sentido, é a VH1 MegaHits, que exibe basicamente sucessos da Billboard americana.  Assim, samplear a lógica do mercado externo aqui é pedir para desafinar.