Retorno de Roberto Justus é o diferencial da nova temporada de “O Aprendiz”

"O Aprendiz" marcou 5,5 pontos na estreia de sua nova temporada.

Primeiro episódio de “O Aprendiz” marcou 5,5 pontos de audiência.

Um bom reality show parte da combinação de quatro fatores primordiais: tema, execução, casting e mediação.

“O Aprendiz” quase sempre reuniu na íntegra esses elementos.

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Marcelo Rezende cortou pra 18

Marcelo Rezende esteve em Contagem (MG) para realizar uma de suas melhores entrevistas da carreira.

Marcelo Rezende esteve em Contagem (MG) para realizar uma de suas melhores entrevistas da carreira.

A entrevista de Marcelo Rezende com o goleiro Bruno não somou novidade alguma ao caso Elisa Samúdio, mas seria injusto não reconhecer o trabalho do jornalista. Afinal de contas, ele não é mesmo investigador policial.

Muito graças ao “Pânico” e às brincadeiras com Percival, que agregaram um tom mais ameno ao “Cidade Alerta”, Rezende foi envolto por uma aura “cult” nos últimos meses.  Isso fez um tremendo bem a ele, que enterrou completamente o estilo adquirido em suas primeiras passagens por jornais policiais sem abandonar a opinião e a capacidade de alinhavar histórias, suas principais qualidades.

Pode-se dizer que nenhuma pergunta deixou de ser realizada durante o encontro. E que nenhum questionamento teve um tom exagerado, teatral. Sem murros na mesa, ironias ou frases feitas, o relato exibido no “Domingo Espetacular” foi o primeiro a entregar ao público um retrato frio, ambíguo e, mais importante, realista da personalidade do goleiro Bruno.

Trechos da entrevista estão disponíveis no R7, o portal da Record.

O “Fala Que Eu Te Escuto” também é filho do “Pânico”

Reprodução da cena. A "sentença" da Igreja Universal foi anunciada sexta-feira, dia 2.

Reprodução da cena. A “sentença” da Igreja Universal foi anunciada sexta-feira, dia 2.

“Festas, curtição e exageros: alegria passageira, na noite vale tudo ou só ultrapassa o limite quem bebe muito?”.

Foi com esta pergunta que o “Fala Que Eu Te Escuto” abriu a histórica edição de 2 de agosto.

Vítima de uma bunda branca sem passagens pelo Monte Sinai, o programa religioso mais visto do Brasil escolheu um tema “polêmico”, ligado à juventude, para se pronunciar sobre o trote defenestrado pelos irmãos Consentini.

Como sempre, dezenas de advogados, médicos, diretores-comerciais, acionistas da Telexfree e cientistas sociais enfileiraram-se no telefone e no Skype para prestar assistência intelectual. Apesar do horário, apesar dos temas, apenas profissionais bem-sucedidos, felizes, coerentes e com carro importado pago à vista costumam se manifestar no programa. Prosperidade e intelecto andam lado a lado, afinal.

O Bispo Clodomiro Santos mediava os chamados, as reprises das matérias do “Jornal da Record” e os teasers do trote preparados exatamente para fisgar o pessoal do zapping – prática comum nos áureos tempos de “Superpop” e “Boa Noite, Brasil”. Somente às 2 horas da madrugada, quando surgiu uma vinheta mal feita, idêntica a da finada “Sessão do Descarrego”, a matéria-verdade foi ao ar.

Quase ancorada por um advogado, a fita mais aguardada da semana revelou a parte óbvia da confusão. A Igreja Universal (de maneira legitima, diga-se) vai processar a família dos adolescentes. A surpresa ficou por conta do editorial dos pastores, exibido enquanto a equipe técnica rebobinava o VHS do Law & Order do Brás.

Emulando a Supernanny, o Bispo Clodomiro logo de saída emendou um “Você está vendo, Graziele? O problema que você trouxe pra sua vida? E pra vida do seus pais?”. Em seguida, separou o mundo entre “pessoas sérias” (os profissionais ricos que ligam para o “Fala Que Eu Te Escuto”) e os “bobões” (os desocupados que ligam para o “Fala Que Eu Te Escuto” sem anunciar a profissão e o carro estacionado na garagem). Não satisfeito, colocou na conta do humor a cretinice dos adolescentes, até batizando essa nova geração, descoberta por ele, de “filhos do Pânico”.

Não é a primeira vez que a Igreja Universal virou tema de galhofa na TV. Os pastores já enfrentaram encostos, gente rouca, mulheres boca-suja, vozes do Google Translator. Alguns, confira você mesmo no You Tube, até riem do ridículo a que são expostos. Nunca repudiaram, nunca processaram, nunca recomendaram um copo de água a mais sobre o televisor. A súbita mudança de postura, por mais cristalina que seja, não deixa de demonstrar um temperamento de… “filho do Pânico”.

Nada é mais “Pânico” do que a espetacularização dos fatos. Foi graças a esse expediente que surgiram quadros como “Sandálias da Humildade”, “Volta, Clô”, “Autoriza, Silvio”, entre outros clássicos do humorístico. Até pode existir a carga “sentimental” no coração dos bispos, pastores e afins, mas não deixa de surpreender a coincidência entre dor e furor. A disposição em copiar o “programete” que tão negativamente influencia os jovens. Basta lembrarmos que um dia após o trote, o “Fala Que Eu Te Escuto” pulou para 5 pontos de média, batendo o “Programa do Jô”.

Sobre o tema do programa? Bem, na minha opinião, de noite vale tudo. Até mostrar a bunda via Skype.

“A Fazenda” só vai vingar quando trocar de apresentador

Britto Jr. é o Ricardo Macchi dos apresentadores

Britto Jr. é o Ricardo Macchi dos apresentadores.

A primeira edição de “Casa dos Artistas” foi realizada quase em segredo no fim de 2001. Tiro curto, menos de 2 meses de duração, ela vale mais do que a “bíblia” produzida pela Endemol para o “Big Brother”, lançado pela Globo logo depois. Pois tudo o que a televisão brasileira sabe de reality show de confinamento parte da provocação de Silvio Santos naquele agitado ano, o último em que o SBT realmente infernizou a vida da maior concorrente.

“A Fazenda” é uma variante da “Casa dos Artistas” – e, consequentemente, do “Big Brother”. Formato sueco, estreou na Record em 2009. Na primeira edição, ultrapassou a casa dos 30 pontos de audiência na finalíssima. Menos que os 55 do reality precursor, mas ainda assim um resultado muito significativo. Agora na sexta temporada, o bonde caipira sofre pra manter o ponteiro acima dos 2 dígitos. A queda não é inesperada, mas a razão dessa curva descendente é no mínimo interessante.

Enquanto o pessoal do Silvio Santos penou sem sucesso na montagem de um casting com impacto semelhante ao da primeira edição de “Casa dos Artistas”, a Record conseguiu reunir times mais interessantes que o da primeira temporada conforme os anos passaram. O excesso de subcelebridades e o passado infeliz de algumas “estrelas” cooperaram muito para as convocações. Podemos afirmar categoricamente que nenhum freak show do mundo possui algo tão heterogêneo, bizarro e inesperado como o atual elenco de “A Fazenda”.

Participam do programa o cavalinho do Cristiano Ronaldo, uma ex-panicat, a filha da Monique Evans, o furacão da CPI, um rapaz que pegava uma ex-panicat, a versão mal sucedida do Pharrell Williams, o menino que gritava “Prêisteixom”, a morena do Tchan número 2, o irmão gêmeo do pagodeiro que regravou “Morango do Nordeste”, um atacante bom do Palmeiras (vale pelo esforço de encontrar alguém vivo que tenha feito sucesso no ataque palestrino), o Oliver do Teste de Fidelidade e a Rita Cadillac. Isso sem contar as pessoas que eu nunca vi na vida, mas que jamais passariam em um exame psicotécnico sem precisar subornar até o papel almaço da avaliação.

Por que o programa não massacra a concorrência apesar dos elementos corrosivos supracitados? Resposta: a gana pelo elenco perfeito sempre oculta o grande problema do programa, que a Record insiste em não resolver: seu reality show não tem apresentador.

Britto Jr. foi importantíssimo pra consolidação do “Hoje em Dia”, revista eletrônica que obrigou as emissoras a procurarem novas opções para o público das manhãs. Mas sua atuação lá envolvia basicamente jornalismo e prestação de serviço. Como em “A Fazenda” não há jornalismo nem prestação de serviço, toda aparição dele no programa é incômoda como os programas eleitorais do PCO, filmados em um bueiro na Avenida São João. Britto Jr. é o cigano Igor versão animador.

Ponto alto de qualquer programa do gênero, “A Fazenda” não aproveita suas eliminações porque Britto controla o tempo e o público como se fosse anunciar um novo confisco da poupança, a morte do Papa ou, pior, a data de lançamento do próximo disco do Carlinhos Brown. A tensão é exagerada, a seriedade contrasta com a ideia do entretenimento e as frases são sempre mal dosadas. Mesmo os desentendimentos ficam desinteressantes durante suas óbvias e inoportunas intervenções de narrador do National Geographic.

Flavio Ricco publicou em sua coluna de 8 de julho que a edição 2013 de “A Fazenda” pode ser a última produzida pela Record, às voltas com mudanças de direção. Ainda dá tempo de empurrar o Britto Jr. no fundo do poço artesiano e colocar qualquer um no lugar. Opções não faltam. Pode ser o moço do “Balanço Geral”. Pode ser o Marcelo Rezende, o mais alegre apresentador da atualidade. Pode ser até o Percival. O que não pode é deixar o tempo (e a concorrência) passar.