Retorno de Roberto Justus é o diferencial da nova temporada de “O Aprendiz”

"O Aprendiz" marcou 5,5 pontos na estreia de sua nova temporada.

Primeiro episódio de “O Aprendiz” marcou 5,5 pontos de audiência.

Um bom reality show parte da combinação de quatro fatores primordiais: tema, execução, casting e mediação.

“O Aprendiz” quase sempre reuniu na íntegra esses elementos.

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“A Fazenda” só vai vingar quando trocar de apresentador

Britto Jr. é o Ricardo Macchi dos apresentadores

Britto Jr. é o Ricardo Macchi dos apresentadores.

A primeira edição de “Casa dos Artistas” foi realizada quase em segredo no fim de 2001. Tiro curto, menos de 2 meses de duração, ela vale mais do que a “bíblia” produzida pela Endemol para o “Big Brother”, lançado pela Globo logo depois. Pois tudo o que a televisão brasileira sabe de reality show de confinamento parte da provocação de Silvio Santos naquele agitado ano, o último em que o SBT realmente infernizou a vida da maior concorrente.

“A Fazenda” é uma variante da “Casa dos Artistas” – e, consequentemente, do “Big Brother”. Formato sueco, estreou na Record em 2009. Na primeira edição, ultrapassou a casa dos 30 pontos de audiência na finalíssima. Menos que os 55 do reality precursor, mas ainda assim um resultado muito significativo. Agora na sexta temporada, o bonde caipira sofre pra manter o ponteiro acima dos 2 dígitos. A queda não é inesperada, mas a razão dessa curva descendente é no mínimo interessante.

Enquanto o pessoal do Silvio Santos penou sem sucesso na montagem de um casting com impacto semelhante ao da primeira edição de “Casa dos Artistas”, a Record conseguiu reunir times mais interessantes que o da primeira temporada conforme os anos passaram. O excesso de subcelebridades e o passado infeliz de algumas “estrelas” cooperaram muito para as convocações. Podemos afirmar categoricamente que nenhum freak show do mundo possui algo tão heterogêneo, bizarro e inesperado como o atual elenco de “A Fazenda”.

Participam do programa o cavalinho do Cristiano Ronaldo, uma ex-panicat, a filha da Monique Evans, o furacão da CPI, um rapaz que pegava uma ex-panicat, a versão mal sucedida do Pharrell Williams, o menino que gritava “Prêisteixom”, a morena do Tchan número 2, o irmão gêmeo do pagodeiro que regravou “Morango do Nordeste”, um atacante bom do Palmeiras (vale pelo esforço de encontrar alguém vivo que tenha feito sucesso no ataque palestrino), o Oliver do Teste de Fidelidade e a Rita Cadillac. Isso sem contar as pessoas que eu nunca vi na vida, mas que jamais passariam em um exame psicotécnico sem precisar subornar até o papel almaço da avaliação.

Por que o programa não massacra a concorrência apesar dos elementos corrosivos supracitados? Resposta: a gana pelo elenco perfeito sempre oculta o grande problema do programa, que a Record insiste em não resolver: seu reality show não tem apresentador.

Britto Jr. foi importantíssimo pra consolidação do “Hoje em Dia”, revista eletrônica que obrigou as emissoras a procurarem novas opções para o público das manhãs. Mas sua atuação lá envolvia basicamente jornalismo e prestação de serviço. Como em “A Fazenda” não há jornalismo nem prestação de serviço, toda aparição dele no programa é incômoda como os programas eleitorais do PCO, filmados em um bueiro na Avenida São João. Britto Jr. é o cigano Igor versão animador.

Ponto alto de qualquer programa do gênero, “A Fazenda” não aproveita suas eliminações porque Britto controla o tempo e o público como se fosse anunciar um novo confisco da poupança, a morte do Papa ou, pior, a data de lançamento do próximo disco do Carlinhos Brown. A tensão é exagerada, a seriedade contrasta com a ideia do entretenimento e as frases são sempre mal dosadas. Mesmo os desentendimentos ficam desinteressantes durante suas óbvias e inoportunas intervenções de narrador do National Geographic.

Flavio Ricco publicou em sua coluna de 8 de julho que a edição 2013 de “A Fazenda” pode ser a última produzida pela Record, às voltas com mudanças de direção. Ainda dá tempo de empurrar o Britto Jr. no fundo do poço artesiano e colocar qualquer um no lugar. Opções não faltam. Pode ser o moço do “Balanço Geral”. Pode ser o Marcelo Rezende, o mais alegre apresentador da atualidade. Pode ser até o Percival. O que não pode é deixar o tempo (e a concorrência) passar.

O que você não deve assistir no fim de semana prolongado

Brazilian actress Denise Fraga.

Denise Fraga lidera “3 Teresas”

Prestação de serviço no “Teleguiado”.

Na contramão da maioria dos veículos e blogs sobre TV, que publicam release até da TV Gazeta, nós vamos, uma vez por semana, analisar a programação das emissoras e indicar O QUE NÃO DEVE SER ASSISTIDO.

É uma ideia cretina, óbvia, mas felizmente virgem. Ninguém fez isso antes. Tenho umas teorias sociais para tamanha falha, mas não quero a Marilena Chauí me ofendendo depois.

Preparados? Vamos à lista. Agradeçam meu esforço compartilhando o texto nas redes sociais, enviando sugestões e, mais importante, enviando dinheiro pro blogueiro aqui.

 
Fique longe de…

“Espelho, Espelho Meu”
Quinta-feira, 0h, Telecine Premium

Por que não assistir? Primeiro bom motivo: Julia Roberts. Se ela já parece insuportável fazendo o papel de mocinha ferrada que dá a volta por cima nos 15 minutos finais, imagine só ela no papel de vilã. Nesta livre adaptação de conto de fadas, ela é a rainha má. Para ser literal, a rainha má na interpretação. Lily Collins, a “mocinha” da história, merece menção especial. Conseguiu construir uma “Branca de Neve” indie. Suas expressões, não raro, lembram Amélie Poulian – outro bom motivo pra ver o “Medalhão Persa”.


“Battleship”
Quinta-feira, 22h, Telecine Premium

Por que não assistir? Rihanna tem um objetivo: ser a nova Whitney Houston. Na categoria “consumo de drogas”, arrisco dizer que já superou. Em relação à música e cinema, não. Sua atuação em “Battleship” é absolutamente mecânica. Ela não consegue nem fingir que tem intimidade com as câmeras. A adaptação do jogo da Hasbro também é um desastre em relação ao roteiro. Você já é obrigado a aguentar “Diamonds” no rádio a cada 15 minutos. Tire uma folga da Rihanna pelo menos na TV.


“E Aí… Comeu?”
Sexta-feira, 19h55, Telecine Premium

Por que não assistir? Antes, vou deixar bem claro: não sou funcionário da HBO. É que a programação do Telecine Premium está realmente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a. Fica difícil citar os outros canais quando uma reprise de “E Aí… Comeu?” é sacada. Bruno Mazzeo, o rapaz que cobra obras intelectuais no Twitter, é a mente brilhante deste marco do cinema nacional. As piadas, muito inteligentes, parecem todas extraídas de um velho quadro do “Canarinho”, na “Praça é Nossa”. Os trocadilhos, suspeito, foram retirados de um programa ainda mais antigo. Enfim, chegamos ao século 21 para ver a primeira chanchada sem sexo e sem graça da história do Brasil.

 

Séries Nacionais 
Sexta-feira, das 21h30 às 23h30, GNT

Por que não assistir? O GNT reprisa às sextas, numa tacada só, suas quatro produções nacionais: “Copa Hotel”, “3 Teresas”, “Surtadas na Yoga” e “As Canalhas”. O programador do canal, certamente sádico, faz isso na esperança do telespectador mais distraído considerar uma série um pouco melhor que as outras para, quem sabe, assisti-la fixamente. A estratégia teria fundamento se uma das quatro séries fosse minimamente melhor que a outra. Porque nenhuma delas é sequer regular.

“Copa Hotel” fica na velha lenga-lenga do “apresentar um mosaico dos brasileiros”. O pano de fundo é um hotel em Copacabana. Pior que a ideia é a execução, como sempre.

O conflito de gerações é a temática de “3 Teresas”, protagonizada por Denise Fraga. O humor, monótono, lembra demais as esquetes que a própria Denise Fraga fazia no “Fantástico”. Acho que ninguém quer isso de volta.

“Surtadas na Yoga” traz, de novo, Fernanda Young berrando. Dizem que Obama prometeu a Raul Castro o fim do embargo quando Fernanda Young mudasse de assunto e parasse de falar sobre gente estressada. Creio que foi uma maneira gentil de dizer “não vou anular o embargo”. Porque nós todos morreremos e Fernanda Young continuará lá, escrevendo “Surtadas no INSS”, “Irritadas no caixa rápido”, “Enfurecidas no caixa eletrônico”.

“As Canalhas”, baseada em um livro de Martha Mendonça, é uma versão envergonhada – e com piores atrizes – de “As Brasileiras” e “As Cariocas”, séries exibidas na Globo. O mesmo formato, óbvias diferenças nas histórias e a esperança dos 22 minutos passarem rapidamente.

O GNT já era um canal feminino mergulhado na menopausa antes das cotas de produtos nacionais. Conseguiu piorar. Irritante, diria Fernanda Young.

 

“Menino de Ouro”
Domingo, 10h, SBT

Por que não assistir? É um reality show de futebol. Apresentado pela Karina Bacchi. Acho que já respondi a questão.