O Domingão do Faustão foi mais divertido do que o esperado

Domingão do Faustão é exibido aos domingos, das 18h às 20h40.

Domingão do Faustão é exibido aos domingos, das 18h às 20h40.

Artigo de Felipe Portes

Eu gosto de ver TV. Não tenho tido tanto tempo assim pra fazer isso, com o trabalho, as viagens e meu vício no videogame. Mas se tem alguma coisa que eu consigo assistir além dos jogos são os pequenos seriados que a Globo passa na sua grade semanal.

Saramandaia tem sido interessante, como o próprio Sarubo comentou aqui, A Grande Família abandonou o rótulo de comédia e virou uma bela série de drama com pitadas de humor. Mas o que mais me surpreendeu na programação global foi eu ter parado para assistir ao Faustão no domingo passado.

Fala sério, você não optaria por ver o ex-gordachão na tela se a sua família não estivesse vendo na sala. Sozinho em casa e no poder do controle você certamente deve ficar zapeando a TV (se só tiver a aberta, tenho más notícias) atrás de algo para assistir. Para quem se acostumou a ser multitarefas em casa, não presta atenção nem no jogo, nem no Faustão e nem nas conversas da internet. Mas, e quando você não tem o futebol e as redes sociais à disposição?

Eu estava viajando e me hospedei num hotel em Porto Alegre com minha namorada, Luíza. Até aí vocês devem pensar que a gente tinha coisa melhor pra fazer, mas não é disso que vim falar. Só tínhamos cinco canais funhebas para escolher e, no domingo, depois de um horrível Cruzeiro x Santos, deixamos no Faustão para ver se o clima de depressão pré-segunda não nos tomaria de assalto.

Num determinado quadro, entre uma conversa e outra, Fausto chamou o João bobo mais famoso da Globo, Bruno de Luca, para ser o diretor de uma espécie de show de improviso com Fabio Rabin, Lúcio Mauro Filho e outras duas atrizes desconhecidas. Aí você pensa: diabos, isso vai dar errado. Não deu tanto assim, e explico o porquê: todo esse show babaquinha seria num cenário intencionalmente íngreme. Era uma sala de estar com móveis fixos, só que completamente inclinada. Só de ver aquilo fiquei intrigado e pensei: o que a produção tem na cabeça?

A verdade é que foi bem engraçado ver o pessoal se matando para entrar na sala e se manter lá para atender às ordens do crianção Bruno, que só sabia rir e não falava nada com nada, pois é um ameba. Os convidados se saíram bem, mas eram mais engraçados ainda quando tentavam se manter em pé. Lúcio Mauro foi o destaque no papel de cunhado chato. Seu ponto alto aconteceu quando tentou entrar pela porta da frente segurando algumas pizzas, capotando pra fora do cenário e derrubando tudo. Estava tão difícil simplesmente andar sem cair pra trás, que eu e a Luíza não conseguíamos parar de rir.

Parei pra pensar porque estava rindo tanto num Domingão e cheguei a várias conclusões: ninguém quer ver nada muito complexo num domingo à noite; esse tipo de humor videocassetada ainda funciona com o público; você não é burro só por rir de como o Bruno De Luca é retardado; quando não se tem muitas opções de canal, o Faustão se torna uma boa saída; as pessoas quando em casal ficam mais suscetíveis a rir de patetices na TV.

O que há de se elogiar no Faustão é que ele pode até ter esses quadros toscões e nos fazer sentir saudade até das olimpíadas bobocas, da ponte do rio que cai e das vinhetas que faziam ele ser o godzilla brasileiro na chegada ao Projac, mas nunca perde o jeitão de comunicador. É um cara que, mesmo irritado, sabe divertir o seu público, por mais que o gordão tenha ficado na mesa de cirurgia.

E Fausto faz isso tudo sem desrespeitar explicitamente os seus convidados, como outros programas humorísticos fazem sempre, na tentativa de provar que “incomodam”. Humor não é incomodar, é saber fazer rir. E hoje pouca gente sabe como causar isso.

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