É entrevista

José Roberto de Toledo assumiu o "É Notícia". Emissora estuda o substituto definitivo para Kennedy Alencar, que decidiu dedicar mais tempo ao seu blog.

José Roberto de Toledo assumiu o “É Notícia”. Emissora estuda o substituto definitivo para Kennedy Alencar, que decidiu dedicar mais tempo ao seu blog.

A RedeTV! iniciou ontem, 6 de outubro, o rodízio de apresentadores para o jornalístico “É Notícia”, exibido após o “Dr.Hollywood”.

José Roberto de Toledo, comentarista político da emissora e de “O Estado de São Paulo”, abriu a bateria de testes entrevistando o filósofo Renato Janine Ribeiro, da USP. Em pauta, a eleição de 2014.

Comparado a Kennedy Alencar, que se desligou da emissora após cinco anos à frente do programa, o desempenho em frente às câmeras deixou muito a desejar, como esperado. No que efetivamente interessa, porém, o desempenho foi melhor.

Quem acompanhou o último programa de Alencar testemunhou vários picos de discordância (únicos possíveis, pois o ibope é uma dízima periódica aberta por 0) dele, o entrevistador, em relação à posição de Aécio Neves, o entrevistado, perante o PT.

A insistência do jornalista em contrapor as esperadas críticas do tucano transformou a combatividade em permissividade. Situação desconfortável aos emissores e receptores da mensagem.

Com Toledo, a julgar por esta primeira experiência, disponível aqui, as preferências políticas não prestarão deferência nem à direita (?) nem à esquerda (?) do Brasil. Um passo preciso rumo ao legítimo jornalismo opinativo – o que incentiva contraposições, não posições.

A turma da dízima periódica merece.

A sociologia de Ivo Holanda

"Vai Fazer O Quê?" mistura jornalismo, comportamento e pegadinhas.

“Vai Fazer O Quê?” mistura jornalismo, comportamento e pegadinhas.

Pobre Ernesto Paglia. Trocou os dias de enjoo no “Globo Mar” por uma azia semanal no “Fantástico”.

Vivendo a pior turbulência desde a “Casa dos Artistas”, o “Show da Vida” (nunca um apelido jogou tão contra) escalou o jornalista para comandar o quadro “Vai fazer o quê?”, em que atores simulam situações controversas para avaliar a reação dos cidadãos.

Desrespeito aos idosos, suspeita de furto, agressão a mendigos, pessoas com a camisa da Portuguesa. Todo tipo de manifestação incomum, marginal, acabou encenada pela produção da Globo. Os atores, muito ruins, pulsavam a polêmica. Os brasileiros, muito confusos, recrudesciam a Lei de Gérson. Ernesto Paglia, muito envergonhado, descia da van para repercutir o teatro. Eis o script, digno dos flagras “ao vivo” do programa de João Kléber.

Para abordar a homofobia, tema do quadro em 1º de setembro, o “teste de dignidade” infiltrou dois homens em um shopping carioca. Eles trocaram carinhos na praça de alimentação até serem interrompidos pelo filho do Valderrama, que fez uns gestos e repetiu o discurso indignado mais clichê da história. Enquanto as câmeras escondidas registram as caras e bocas do público, a edição despeja pequenas entrevistas e uns números de pesquisa googlados provavelmente na véspera da gravação. Quem se comportou bem ganhou parabéns. Quem se comportou mal também ganhou parabéns. O Brasil gosta de dar e receber parabéns.

Não há problema algum em fazer exercícios do tipo e exibi-los na TV. Incomoda apenas a pretensão em transformar essas câmeras escondidas em exercício sociológico.

No mesmo horário do “Fantástico”, por exemplo, RedeTV!  e SBT exibem pegadinhas. Em geral, ou elas arremessam tortas ou colocam pessoas em situações controversas, protagonizadas pelas mesmas caricaturas do quadro de Ernesto Paglia. Aplicando o padrão de “Vai fazer o quê?”, se a Globo comprasse o conteúdo das concorrentes e trocasse as narrações engraçadinhas por intervenções de um repórter qualquer, elas surgiriam como novas peças de “jornalismo verdade”. É como se dissessem que o Ivo Holanda é um gênio incompreendido, impedido de revelar as incoerências da sociedade porque precisava chamar alguém de gordo para poder gritar “produção, produção, me ajuda” antes de apanhar.

2013 pode ficar marcado como o ano da reciclagem em nossa TV. Do canal que reprisa cinco novelas em sequência ao programa que celebra 40 anos agregando filosofia às pegadinhas, todo mundo deixou a inovação de lado para (tentar) reviver os picos de audiência do passado.

Ainda veremos Ernesto Paglia correr de seus testados. Ainda veremos Ivo Holanda enjoado no mar.

Marcelo Rezende cortou pra 18

Marcelo Rezende esteve em Contagem (MG) para realizar uma de suas melhores entrevistas da carreira.

Marcelo Rezende esteve em Contagem (MG) para realizar uma de suas melhores entrevistas da carreira.

A entrevista de Marcelo Rezende com o goleiro Bruno não somou novidade alguma ao caso Elisa Samúdio, mas seria injusto não reconhecer o trabalho do jornalista. Afinal de contas, ele não é mesmo investigador policial.

Muito graças ao “Pânico” e às brincadeiras com Percival, que agregaram um tom mais ameno ao “Cidade Alerta”, Rezende foi envolto por uma aura “cult” nos últimos meses.  Isso fez um tremendo bem a ele, que enterrou completamente o estilo adquirido em suas primeiras passagens por jornais policiais sem abandonar a opinião e a capacidade de alinhavar histórias, suas principais qualidades.

Pode-se dizer que nenhuma pergunta deixou de ser realizada durante o encontro. E que nenhum questionamento teve um tom exagerado, teatral. Sem murros na mesa, ironias ou frases feitas, o relato exibido no “Domingo Espetacular” foi o primeiro a entregar ao público um retrato frio, ambíguo e, mais importante, realista da personalidade do goleiro Bruno.

Trechos da entrevista estão disponíveis no R7, o portal da Record.

RedeTV! cancela programa evangélico para acompanhar chegada do Papa Francisco

Papa Francisco: SBT exibiu plantão em sua chegada. É o primeiro milagre do Papa no Brasil.

Papa Francisco: SBT exibiu plantão em sua chegada. É o primeiro milagre do Papa no Brasil.

A chegada do Papa Francisco ao Brasil atraiu a atenção de quase todas as emissoras abertas nesta segunda-feira, 22 de julho.

Globo, Band e RedeTV! realizaram as coberturas mais completas da cerimônia de boas-vindas, sediada no Palácio da Guanabara. O SBT limitou-se a plantões, enquanto a Record ignorou até mesmo os pronunciamentos de Dilma Rousseff e do Papa.

Mais expositiva, a Globo cortou parte de sua grade vespertina para acompanhar as primeiras horas de Francisco no Rio de Janeiro. Numerosa, a equipe ancorada por Patrícia Poeta ficou ao vivo até as 18h31, com imagens da programação oficial da agenda papal e links.

Sem a mesma estrutura técnica da líder, a RedeTV! se destacou pelo tom mais político e a disposição em oferecer um relato completo aos telespectadores. A primeira surpresa foi o cancelamento do programa “Show da Fé”, culto evangélico transmitido sempre às 17 horas. Sem a pausa do aluguel divino patrocinado por RR Soares, a emissora acompanhou o Papa desde a aterrissagem de seu avião. O informativo factual dividiu espaço com boas análises políticas sobre a relação da Igreja Católica com o Governo Federal e a sociedade como um todo, diferencial que atenuou a falta de links ao vivo.

A Band apostou na versatilidade de Datena no primeiro dia de presença papal – e saiu-se muito bem com a escolha. Dentro do “Brasil Urgente”, agregou à cobertura um tom que em nada lembra o praticado em seu cotidiano de jornalismo policial. Os repórteres e a participação do filósofo Mario Sergio Cortella colaboraram para a realização de uma maratona (o programa só saiu do ar às 19h20, horário do Jornal da Band) bastante plural.

Primeiro milagre de Francisco em terras brasileiras, o SBT  suspendeu suas surradas reprises para exibir alguns plantões durante a tarde e o início da noite. A Record, de propriedade de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, exibiu flashes durante o “Programa da Tarde”, mas não mudou a linha editorial do “Cidade Alerta”, ignorando o cerimonial – posição já esperada.