A celebridade Rubens Barrichello

Rubens Barrichello na Fórmula 1: o choro é recíproco.

Rubens Barrichello na Fórmula 1: o choro é recíproco.

Atribuir a Sebastian Vettel a queda de audiência da Fórmula 1 nos últimos anos é apelar para a desinformação.

Com média parcial de quase 9% em 2013, a categoria teve, anos atrás, temporadas ainda menos equilibradas.

Em 2004, Schumacher venceu 13 das 18 provas disputadas. Somou 148 pontos dos 180 possíveis. O vice-campeão terminou a contagem 34 pontos atrás do então companheiro de equipe e 29 à frente do terceiro colocado. Mesmo assim, as corridas atingiram 19% de média. Por que o monopólio ferrarista era aprovado? Qual a heteronormatividade praticada pela Red Bull?

O problema do brasileiro não é a ausência de ídolos vitoriosos. Ou de campeonatos disputados ponto a ponto. É a falta de personagens pitorescos. Se Massa, o atual host tupiniquim, é, sob o aspecto técnico, igual a Barrichello,  há uma brutal diferença sob o aspecto esportivo.

Rubinho jamais encararia, por exemplo, a derrota sofrida por Felipe em 2008 com a mesma postura.

Muito provavelmente roubaria o microfone de alguém durante o pódio para falar umas verdades, sambar duas vezes, reclamar publicamente das forças invisíveis e cobrar as autoridades pela falta de segurança no entorno de Interlagos. Ou seja, garantiria o interesse do público que dava risada com o Galeão Cumbica.

A Globo notou rapidamente isso. Tanto que fez o possível e o impossível para encaixar a maior piada da Fórmula 1 em suas transmissões.

A primeira tentativa aconteceu, por um desses acasos, durante o GP do Brasil de 2012.

Convidado para fazer cosplay de Repórter Vesgo, Rubens correu pelo grid de largada com um microfone na mão e nenhuma pauta na cabeça. Alguns pilotos deram bola. Outros fecharam a porta. Quando conseguia arrancar alguma declaração, não traduzia.

O desempenho encantou a direção da emissora.

Efetivado para o cargo, não levou muito tempo para ser promovido à comentarista oficial de algumas jornadas, quando encanta o país com sua invejável capacidade de falar bobagens antes e depois da largada.

Quem tem Reginaldo Leme, o primeiro jornalista a notar a importância da Fórmula 1, não deveria desperdiçar tempo com amadores.

Ninguém reclamaria se a troca na cabine de transmissão envolvesse Lito Cavalcanti, por exemplo. Lito é excelente comentarista. Seus trabalhos no Sportv nunca estão abaixo do esperado. Ou Fábio Seixas, que ainda não está completamente familiarizado com as câmeras, mas é craque quando o assunto é automobilismo.

Na tentativa de ganhar pontinhos com o público flutuante, a Globo coloca em risco o apoio de quem realmente acompanha a Fórmula 1, independente do hino executado na hora do pódio ou da piada contada na entrevista coletiva.

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O dono do espetáculo é Silvio Luiz

Silvio Luiz

Silvio Luiz

Desde sua fundação, em 1999, a RedeTV! transmitiu Champions League, UEFA Europa League, Campeonato Italiano, Campeonato Inglês, Copa do Brasil, NBA, UFC, Superliga de Vôlei e Fórmula Indy.

Com a saída do Pânico, a emissora trocou estes grandes eventos por investimentos de menor impacto. AFC, Fórmula 1 Aquática, X-Games, motocross e campeonatos de futebol Sub-20 são as atuais estrelas da grade nos sábados e domingos. Apesar do reduzido apelo das novas atrações, a audiência não desabou. E a explicação para o milagre da manutenção do ibope é bastante simples.

A grande contratação da RedeTV! nos últimos anos aconteceu em 2009. A chegada de Silvio Luiz, profissional com extensa experiência na TV brasileira, gerou a credibilidade e a relevância que inexistiam na emissora desde a saída de Jorge Kajuru, até hoje conhecido por seu magnetismo com o público.

Não importa se ele está em Milão para transmitir Inter x Milan ou se ele está no “tubo”, preparando o gogó para narrar Santo André x Grêmio Osasco. Ele confere entusiasmo a qualquer partida. É justamente por isso que as partidas da série A2 atingiram picos de 2 pontos algumas vezes na temporada 2013. Afinal, ninguém liga a TV para ver a partida. Liga para ver a capacidade de improvisação de Silvio Luiz. Seu inesgotável repertório. É “Olho no narrador”, não “olho no lance”.

Atualmente, Silvio está no ar todos os dias da semana. Além dos jogos de futebol, ele comanda o “Bola Dividida”, debate esportivo exibido após o programa matinal do João Kléber. A audiência, mais uma vez, tem correspondido. Ela sabe o nome do craque. E o número da camisa.

O futebol coxinha de Caio Ribeiro

Caio Ribeiro: insosso até no videogame.

Caio Ribeiro: insosso até no videogame.

Caio Ribeiro é um profissional inusitado.

Quando jogador, era contratado para marcar gols.

Raramente os fazia.

Tanto que passou dois anos em grandes clubes italianos sem chegar perto das redes.

Encerrou a carreira aos 30 anos, com a obscena média de 0,17 tentos por partida.

Agora funcionário da Globo, recebe um salário para emitir opiniões.

Em cinco anos de cabine de transmissão, dá algo em torno de 0 opiniões por partida. Só não é mais chapa-branca que a Dilma Bolada.

Caio Ribeiro tinha medo de enfurecer a torcida adversária com seus gols.

Caio Ribeiro tem medo de enfurecer a torcida, seja ela qual for, com suas opiniões.

A principal função da equipe de transmissão de um jogo de futebol é entreter o público quando o espetáculo é de baixa qualidade.

Por acaso, na última quarta-feira, 14 de agosto, Corinthians e Fluminense protagonizaram um espetáculo de baixa qualidade.

Cléber Machado notou de imediato o rumo do bate-bola. E, já no primeiro tempo, se mobilizou para transformar a partida em um show do intervalo de longa duração.

Enquanto as câmeras insistiam no pebolim humano, ele mobilizou a boa estrutura global.

Acionou os repórteres de campo, trouxe estatísticas dos jogadores, exibiu gols dos outros jogos, ditou a classificação dos outros clubes, fez prognósticos sobre o São Paulo, tirou dúvidas sobre arbitragem com Leonardo Gaciba. Não tinha mais fôlego na empreitada porque ao seu lado estava o comentarista que prefere não comentar.

Aos 30 minutos do segundo tempo, Cléber repassou a Caio uma das famigeradas perguntas de internauta.

A dúvida da vez era mais cretina que o projeto político de Marina Silva. Algo como: “Quem está em melhor fase? Luxemburgo ou Tite?”.

O Paulo Henrique Ganso da década de 90 pensou. Patinou. Mordeu o beiço. Passou manteiga de cacau logo depois. Para dizer que “no momento, Tite está um pouco acima de Luxemburgo”.  E acrescentar que Vanderlei “é um grande treinador”.

Não existe justificativa plausível para um “especialista” de futebol colocar um treinador campeão mundial apenas “um pouco acima” de um profissional que não monta um grande time desde 2003. Ou Caio Ribeiro não entende de futebol ou Caio Ribeiro não quer se indispor com seus colegas. Desconfio que ele fique entre as duas opções.

Existe no Brasil o temor de que os novos estádios, cujos ingressos são vendidos a preços bem salgados, patrocinem a proliferação dos torcedores “coxinha”, aqueles cidadãos que precisam ser avisados pelo placar eletrônico sobre os momentos de vaiar, gritar e cantar.

Sou muito tranquilo em relação a isso. Porque é óbvio que o tempo se encarregará de diminuir o interesse turístico dessas arenas, empurrando os preços das entradas para a média de sempre. É a lógica democrática e intuitiva do mercado.

Assim, o único temor que devemos ter em relação ao espírito do futebol é o da proliferação dos comentaristas “coxinha”, em sua ditadura de elogios velados e afagos simpáticos.

Porque futebol é jogado dentro e fora de campo.

Para cada ação deve haver uma provocação.

Quando o esporte virar algo político, insosso, é porque vestir a camisa do Palmeiras ou do Corinthians não vale mais a pena.

É porque o futebol vale menos que a carreira de Caio Ribeiro.

“Cabeça no Jogo” foi a única surpresa na abertura da Copa das Confederações

Imagem de "Cabeça no Jogo".

Imagem de “Cabeça no Jogo”.

Nem tudo foi “mais do mesmo” neste primeiro dia de Copa das Confederações.

Sem os direitos de transmissão da competição, a ESPN Brasil lançou o programa “Cabeça no Jogo”, a primeira mesa redonda brasileira exibida com bola rolando.

Liderados por Marcelo Duarte, apresentador do “Loucos Por Futebol”, os comentaristas Alexandre Oliveira, Roberto Malia, Celso Unzelte e Leonardo Bertozzi analisaram a partida e atenderam, por telefone, telespectadores, humoristas, cantores (Reginaldo Rossi até cantou um trecho de “Garçom”) e apresentadores da emissora.

O perfil bem-humorado dos participantes colaborou muito para o ritmo do programa. Sobraram trocadilhos, cornetadas sobre a atuação de Hulk e Daniel Alves e, a melhor parte, indiretas entre os colegas. Tudo com muito respeito, é claro.

Outro ponto positivo de “Cabeça no Jogo” foi a decisão de não escalar alguém para encarnar Tiziano Crudeli, torcedor do Milan que comenta as partidas da equipe também ao vivo, em uma emissora sem autorização para exibir a Champions League e a “Lega Serie A”.

Por mais que Crudeli seja cada vez mais popular entre os brasileiros, que procuram seus exageros no You Tube, é bastante claro que a referência italiana só é válida em transmissões de um mesmo clube, não de uma seleção.

A ESPN Brasil não inovou a TV esportiva mundial, mas surpreendeu mais do que Felipão até aqui.