O dono do espetáculo é Silvio Luiz

Silvio Luiz

Silvio Luiz

Desde sua fundação, em 1999, a RedeTV! transmitiu Champions League, UEFA Europa League, Campeonato Italiano, Campeonato Inglês, Copa do Brasil, NBA, UFC, Superliga de Vôlei e Fórmula Indy.

Com a saída do Pânico, a emissora trocou estes grandes eventos por investimentos de menor impacto. AFC, Fórmula 1 Aquática, X-Games, motocross e campeonatos de futebol Sub-20 são as atuais estrelas da grade nos sábados e domingos. Apesar do reduzido apelo das novas atrações, a audiência não desabou. E a explicação para o milagre da manutenção do ibope é bastante simples.

A grande contratação da RedeTV! nos últimos anos aconteceu em 2009. A chegada de Silvio Luiz, profissional com extensa experiência na TV brasileira, gerou a credibilidade e a relevância que inexistiam na emissora desde a saída de Jorge Kajuru, até hoje conhecido por seu magnetismo com o público.

Não importa se ele está em Milão para transmitir Inter x Milan ou se ele está no “tubo”, preparando o gogó para narrar Santo André x Grêmio Osasco. Ele confere entusiasmo a qualquer partida. É justamente por isso que as partidas da série A2 atingiram picos de 2 pontos algumas vezes na temporada 2013. Afinal, ninguém liga a TV para ver a partida. Liga para ver a capacidade de improvisação de Silvio Luiz. Seu inesgotável repertório. É “Olho no narrador”, não “olho no lance”.

Atualmente, Silvio está no ar todos os dias da semana. Além dos jogos de futebol, ele comanda o “Bola Dividida”, debate esportivo exibido após o programa matinal do João Kléber. A audiência, mais uma vez, tem correspondido. Ela sabe o nome do craque. E o número da camisa.

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Os piores programas de namoro da TV brasileira

O mau gosto tem um enorme coração.

O mau gosto tem um enorme coração.

Quase todo dia é dia dos namorados para a televisão brasileira.

As emissoras até se esforçam para colocar algo inovador no ar, como um programa que reforma casas ou um reality show com cantores espontâneos e desafinados, mas nada, pelo menos até hoje, conseguiu fisgar os corações doloridos dos telespectadores.

A lista a seguir relembra as piores atrações apaixonadas da telinha. Os quadros enfadonhos, os temas insuportáveis.

Prepare o José Augusto que existe em você.

Em Nome do Amor
SBT

Silvio Santos leva títulos de capitalização a sério. E só. O “Em Nome do Amor” foi exibido entre 1994 e 2000. O pitoresco tapete em forma de coração era a maior estrela do programa. Porque era enorme. Porque era de profundo mau gosto. Quando artistas caídos não iam para o palco receber uma homenagem sem vergonha, geralmente narrada pelo Lombardi (R.I.P), algum popular aparecia em rede nacional para se declarar.

No encerramento, Silvio chamava o quadro de maior audiência. Funcionava assim: rapazes e mocinhas ficavam se paquerando com um binóculo (!). Depois do flerte old school – e nerd-, uma dancinha ao som de Julio Iglesias começava. Os casais formados recebiam, após uma indiscreta entrevista, flores. Honestamente, eu trocaria por uma Tele Sena.


Xaveco
SBT

Sistema Brasileiro de Televisão. Again. O “Xaveco” começou nas mãos de Silvio Santos. Como ele é dono da emissora e não é obrigado a passar vergonha, transferiu a atração para Celso Portioli na segunda temporada. Mistura de “Passa ou Repassa” com “Namoro ou Amizade?”, ele reunia dezenas de jovens para uma gincana de perguntas e respostas. O dono do melhor xaveco ganhava o coração da pretendente e um prêmio em dinheiro.


Beija Sapo
MTV

Daniella Cicarelli é boa apresentadora. Juro. Mas não comandou um bendito programa decente em sua carreira.

O “Beija Sapo” reunia uma porção de jovens encalhados com predileção a jogos de azar.

Tudo começava com a chegada do príncipe (ou da princesa). Ele explicava suas intenções e era apresentado a 3 sapos/pererecas.

Deitado (a) em uma cama, o coração entristecido acompanhava as provas mais imbecis já exibidas na TV brasileira.

Após o intenso processo seletivo, finalmente acontecia o beijo.

Clássico dos cursinhos, “A Hora da Estrela” é cabelo na sopa do cinema

Trecho de "A Hora da Estrela"

Trecho de “A Hora da Estrela”

A Câmara dos Deputados aprovou em junho de 2012 um projeto que obriga a aplicação de 10% do PIB do Brasil em políticas educacionais. A apreciação do Senado, a última que faltava, veio no dia 28 de maio

Para quem não sabe, o governo nunca gostou muito desta história de enterrar 10% do orçamento na educação. Meio sem jeito, promoveu, ano passado, movimentações para diminuir a fração do investimento fixo. Causou um tremendo mal estar, inclusive. Um mal estar sem motivo. Ele poderia ter engabelado deputados e representantes dos movimentos sociais obrigando-os a ler um livro. Um artigo. Qualquer coisa. O desejo de interferir cessaria imediatamente.

Nada causa mais ojeriza aos brasileiros do que o hábito da leitura. Os números do mercado editorial até dão a ideia de um país em processo de amadurecimento, mas basta saber que os campeões de venda são títulos do calibre de “50 Tons de Cinza” e “Jogos Vorazes” para tudo voltar à realidade. Apesar dos excelentes autores, temos péssimos leitores. Nossa capacidade em colocar batuque e percussão em qualquer versinho parece ser proporcional à capacidade de criar analfabetos funcionais. Tum-tum-tum de pai para filho. Erros de concordância de pai para filho.

Um ótimo indicador da letargia intelectual que persegue o Brasil está, paradoxalmente, na sala de aula. Mais especificamente nas carteiras dos cursinhos preparatórios para vestibular. Basta um professor de literatura aventar a possibilidade dos alunos lerem um dos livros exigidos nas provas de Fuvest e Unicamp para um verdadeiro massacre começar. As reclamações só acabam quando a leitura é substituída pela exibição da adaptação cinematográfica da obra. Prova de que o governo deveria investir integralmente em telecursos.

Nesta desagradável sessão corrida de adaptações, dificilmente existe filme mais infeliz do que “A Hora da Estrela”. Não existe um clássico da literatura tão ou mais destroçado por nossos cineastas do que este romance de Clarice Lispector. Nem “O Cortiço”, transformado em softporn, foi tão descaracterizado.

Suzana Amaral despiu Macabéa da sutileza de sua ignorância. A naturalidade da trama de Clarice Lispector acabou transformada em grosseira caricatura na tela do cinema. A burrice patológica da personagem serve apenas de escada para cenas embaraçosas. A profundidade dos personagens, fundamental para entendermos o significado do universo criado por Lispector, é suprimida. Mesmo a cena final, ironia simples e pura, é mal executada – parece teatro de rua.

Premiado no Festival de Brasília, celebrado no Festival de Havana (Cuba entende de cinema tanto quanto entende de liberdade de expressão) e lembrado no Festival de Berlim (acredito na hipótese do voto de protesto), “A Hora da Estrela” de Suzana Amaral é um cabelo na sopa do cinema brasileiro. Macabéa ri. Eu choro.

Pode ser futebol. Pode ser assessoria de imprensa.

Carlinhos Brown

Carlinhos Brown

A primeira partida da seleção brasileira no remodelado Maracanã não teve show dentro de campo. Nem caxirolas arremessadas na cabeça do Carlinhos Brown (uma pena). Em compensação, teve a melhor aula de assessoria de imprensa aplicada no país.

A transmissão da Globo começou bem antes do início do amistoso contra a Inglaterra. Vários repórteres foram escalados para apresentar o Rio de Janeiro cenográfico da Copa. O transporte público foi elogiado. O entorno foi elogiado. As vans com insulfilm não foram elogiadas porque Eduardo Paes proibiu o uso da película nos veículos – uma agressiva medida contra a violência da cidade.

A Cidade Maravilhosa da mentira recebeu os melhores figurantes do país, para garantir a coerência do espetáculo. Debochamos por décadas da imagem do americano feliz, de avental, assando hambúrgueres no quintal para saciar a fome da família perfeita e dos vizinhos vestidos como imbecis. Nosso castigo demorou, mas chegou. Durante o “pré-jogo”, um sorridente repórter encontrou torcedores fotografando passarelas, no passo a passo para a entrada no estádio. O orgulho de ser brasileiro sempre oferece um espetáculo de profundo estupor. De profunda vergonha.

Na cabine da Globo, não havia ninguém tirando foto. Mas abundava a tal felicidade. Galvão celebrou mais de uma vez a nova cultura que o Maracanã trazia para o país. Por muito tempo tentei adivinhar qual era a tal nova cultura. Cogitei ser o desperdício de dinheiro público essa nova cultura, mas descartei a hipótese logo em seguida, porque isso é bem velho.

Outra novidade agitada foi a estreia de Ronaldo na função de comentarista. O ex-jogador foi muito competente. Poucos jogadores conseguiriam emendar os eufemismos do Fenômeno, por exemplo. Poucos conseguiriam mudar de assunto como ele, também. A cada falha do meio de campo da seleção, um elogio descabido surgia. Era a cadeira com certificação Fifa, a beleza… até o barulho da torcida serviu pra cobrir os muitos erros dos volantes, sobretudo no segundo tempo.

Os velhos vícios, claro, não cessaram. Pioraram, na verdade. Galvão ainda narra gols do adversário com o entusiasmo de um disco do Smashing Pumpkins. Casagrande continua generoso demais em relação a Neymar. Disse, após o segundo gol da Inglaterra, que o jogador não consegue render,  mas que a culpa não é dele, nem do treinador e nem dos colegas. É de quem? Do capital? Da publicidade? Do outono? Do Barcelona? Muricy Ramalho era mais criativo.

Para a alegria da TV e da torcida presente no estádio, autêntica como a plateia do programa do Celso Portioli, o segundo gol da Inglaterra não foi o derradeiro. O Brasil conseguiu empatar. Dentro de campo. Fora de campo, continuamos levando de goleada. Com muito orgulho, com muito amor. Porque somos brasileiros.