O fator “Titanic”

O relançamento de "Titanic" mexeu com o brio de Leonardo DiCaprio. Sem razão.

O relançamento de “Titanic” mexeu com o brio de Leonardo DiCaprio. Sem razão.

Quando relançado, “Titanic 3D” rendeu uma série de eventos de divulgação e, claro, uma première de pompa, realizada em Londres. Festa para celebrar o centenário da viagem inaugural do RMS Titanic, recordar o sucesso comercial da produção – o filme emendou incríveis quinze semanas no topo da bilheteria americana – e, aproveitando a esteira, brindar os 100 anos da Paramount Pictures.

Os convidados? As estrelas, é claro! Aquela é Kate Winslet. Ela está pálida. Fome, provavelmente. Dizem que até hoje passa mal quando ouve as primeiras notas de “My Heart Will Go On”. Faz sentido. O senhor ali no canto é James Cameron. Ele já engoliu o fracasso de “Avatar” no Oscar? Faturar quase 3 bilhões e ser derrotado para “Guerra ao Terror” não me parece um bom retrospecto. Falta o mocinho. É Leonardo DiCaprio. Onde ele está?

Para espanto geral, o ator ignorou não apenas a festa de reestreia do filme, como se esquivou de entrevistas e qualquer novo material promocional planejado. Segundo uma pessoa próxima, que concedeu entrevista à US Weekly, DiCaprio reconhece a importância de Titanic em sua carreira, mas hoje se vê em outro nível. “Levou muito tempo para ele se desprender do personagem e chegar onde está hoje”, resume a fonte.

Leonardo DiCaprio tem todo o direito de rejeitar convites. Premières parecem mesmo desagradáveis. Foto. Sorriso. Ficar entre o personagem e a personalidade. No entanto, a história do “é relevante, mas estou acima disso” definitivamente não cola.

Uma passada rápida pela filmografia do ator revela uma dezena de filmes piores que Titanic. “A Praia” é um dos roteiros mais atrapalhados dos últimos 20 anos. “Romeu e Julieta” decepciona em todos os sentidos. Os projetos anteriores ao hit são igualmente ruins. Um revezamento de atuações medianas e títulos fraquíssimos. Mesmo da recente e forte parceria com Scorsese é difícil extrair algo. Porque mesmo nos sofríveis “Gangues de Nova York”, “O Aviador” e “Ilha do Medo” ele foi capaz de se destacar. Em “Os Inflitrados”, único bom filme de Martin na década passada, Leo vai bem, mas é apenas um nome a mais. Apenas “Django Livre” é um trabalho acima da curva. Com uma carreira dessas, qual o problema em ser Jack Dawson?

A história de amor protagonizada por ele e Kate Winslet é realmente piegas. E um bocado melodramática. No entanto, poucos romances foram tão bem acertados. James Cameron reuniu em seu transatlântico cenográfico um punhado de atores eficientes e todos os antagonismos e vícios esperados em uma boa história – até conflitos entre classes sociais e velhinhos abraçados esperando pela morte foram pensados. Isso tudo em um cenário perfeito: uma epopeia naval marcada como a maior presepada dos mares. Aqui, o 3D é um luxo opcional e desnecessário. Leonardo DiCaprio, um mero tripulante à deriva no mar. Faz parte da história. Mas prefere negar. Esqueçam os botes.

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