Os heterônimos de Mulher Pêra, a Fadinha do Brasil

Fadinha do Brasil e seu fiel escudeiro, o Robotron.

Fadinha do Brasil e seu fiel escudeiro, o Robotron.

A RedeTV! comercializa cerca de 13 horas de sua programação dominical.

Em geral, quem aluga espaço da emissora aproveita sua cobertura para exibir televendas de camisas, infomerciais da Polishop, debates de sindicato e cultos religiosos com fanhos. A audiência nunca passa do 0.3 ponto, considerável golpe para a média diária aferida pelo ibope, mas o ganho sociológico é incalculável. Somente uma viagem na linha 7 da CPTM durante horário de pico ofereceria cenário tão ou mais inusitado.

Atualmente, o principal sucesso das produções independentes atende pelo simpático título “Fadinha do Brasil”.

Programa mais comentado da semana passada nas redes sociais, ele aposta no entretenimento infantil com pegada ecológica – o cuidado com o meio ambiente é tão grande que a produtora, uma ONG de nome chulo, faz a gravação no escuro, para economizar energia elétrica. Quem ancora? Suelem Aline Mendes, a artista mais versátil do Brasil.

Para quem não associou o nome ao talento, Suelem é a Mulher Pêra. Lançada por alguém infeliz em um momento tão ou mais infeliz do Brasil moderno, ela, nos últimos doze meses, trabalhou como funkeira, candidata a vereadora e sedutora do “Teste de Fidelidade”. Sempre com um sorriso no rosto, profundidade de fazer inveja aos heterônimos de Fernando Pessoa e algum pedaço do corpo à mostra, como prova a peça no link.

Em trinta minutos, Fadinha e sua equipe cantam canções, exibem vídeos com conexão dial up, entrevistam políticos e trazem professores e especialistas para abordar temas bem infantis, como a matança de animais, o vegetarianismo e a problemática das hidrelétricas.

Se a Mulher Pêra consegue enxergar a câmera, rebolar e cantar a versão funk de “borboletinha” (!), seus assistentes não são dotados de tanto talento.

Um dos repórteres de cabelo verde escalado para livrar o Brasil das más práticas ambientais lidava com a câmera como um gato em cima de um aspirador de pó. A “borboleta verde”, bullying sustentável do século, era, de toda a equipe, a melhor orientada. Vestida de duende, ela decorou direitinho as falas. Só pareceu envergonhada perante as câmeras, o que é aceitável.

Como em qualquer programa infantil brasileiro, a roupa que faltou na apresentadora ficou com o animador de palco freak show.

Quem faz as honras da Fadinha e do pano rejeitado por ela é o Robôtron. Ágil como a finada Hispania, ele parece um Cybercop em crise de abstinência.

As crianças, suposto target da atracão, também marcam presença nas gravações. Quando não estão ocupadas lendo perguntas que jamais fariam espontaneamente, olham para o nada, porque ele certamente é mais belo que o mar, as árvores e a fauna.

Antes de se despedir, a versão siliconada de Alberto Caieiro lembrou o público que o trabalho dela pode ser criticado, mas será lembrado por muitos anos.

Só o aquecimento global pode nos salvar.

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3 pensamentos sobre “Os heterônimos de Mulher Pêra, a Fadinha do Brasil

  1. Sinceramente depois de assistir essa coisa. Eu so posso dizer que esse troço que a gente chama de Brasil nao tem a menor possibilidade de dar certo. Nao tem nem Ze Dirceu nem Ze Sarney que seja o culpado pelo atraso. O problema e cultural mesmo. Vamos precisar de pelo menos 2 seculos para dar jeito nessa bodega. Ou entao um suicidio coletivo a la Jim Jones. Porque senao nao tem jeito.

  2. Pingback: Os piores programas infantis da TV brasileira | >>TELEGUIADO

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