As vidas de Rafinha Bastos

Rafinha Bastos voltou para a Band. Ele participará da temporada 2013 de "A Liga".

Rafinha Bastos voltou para a Band. Ele participará da temporada 2013 de “A Liga”.

Rafinha Bastos é um cara azarado.

Quando, no CQC, vivia sua melhor fase na TV, acabou rifado do programa – e da Band – por fazer uma piada (ruim, mas ainda assim uma piada).

Porque a ironia não tem limites, ganhou, em 2012, um contrato na RedeTV!.

Meses depois, comandaria o primeiro “Saturday Night Live” dominical do mundo.

Exibido durante o tiroteio entre “Pânico”, Silvio Santos, “Fantástico” e “Domingo Espetacular”, não conseguiu passar dos 2 pontos de audiência.

Sem contrato com a emissora de Osasco (a rescisão, pelo divulgado na imprensa, foi amigável), ancorou seu primeiro projeto ficcional.

Na tranquilidade da TV paga, lançou, em junho de 2012, “A Vida de Rafinha Bastos”.

O episódio piloto foi um dos melhores produzidos no Brasil nos últimos anos.

Centrado na função social da piada, repercutiu o “case” Wanessa Camargo. Das engraçadas entradas de Minotauro, mais afeito às câmeras do que o Bruno Mazzeo, à participação”filosofal” de Marília Gabriela, responsável pelo gancho realista da história, tudo apontava para um mesmo (raro) rumo: o equilíbrio do roteiro.

Não abusava do humor rasteiro. Não patinava na dramaticidade rala. Não se apresentava como uma novela, com aquele didatismo insuportável para apresentar história e personagens. Se havia algum problema, era a artificialidade dos amigos humoristas de Bastos. Ainda assim, nada ruim como Bruno Mazzeo.

A boa repercussão nas redes sociais e a relevante audiência da “pré-estreia” motivaram o FX a reapresentar o conteúdo outras vezes. Como acompanhamento, incessantes chamadas, sempre prometendo para um insondável “em breve” a exibição dos doze episódios restantes. Bastou pouco tempo para, apesar do retrospecto positivo de crítica e público, o “em breve” virar “em construção”.

De orçamento novo e meta nova (o FX trocou a produtora da série para “melhorar o ritmo”), “A Vida de Rafinha Bastos” só respirou de verdade em julho de 2013.

Os tais doze episódios viraram oito. Os quarenta e tantos minutos de arte encolheram para vinte dois.

Se a duração dos capítulos ficou equiparada a das sitcoms, a qualidade, felizmente, não ficou.

A acidez cessou um bocado, mas a capacidade de misturar realidade e ficção, híbrido dominado por Larry David, permaneceu no roteiro – e com execução acima de todas as expectativas.

Fixa em seu propósito de posicionar a piada como piada, posição polêmica para o Brasil da Dilma Bolada, do financiamento público de trocadilhos e da espionagem de cacófatos, “A Vida de Rafinha Bastos” apresentou seu último número no dia 7 de setembro.

O ciclo da independência foi renovado.

Falta apenas renovar o ciclo de Rafinha. Dentro e fora do script.

Porque, de todos os azares, nenhum é maior do que viver em um país cinicamente correto. Em um país que rejeita a autenticidade do humor para privilegiar a ficção. Que só é bela porque é de mentira.

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11 pensamentos sobre “As vidas de Rafinha Bastos

    • Eu tbém concordo que o Bruno Mazzeo, além de ser RUIM como comediante é muiiiiito antepático, longe de ser parecido com o pai Chico ANisio. MAS onde o RAFINHA estiver eu vou atrás, louco de ESPECIAL!!!!!

  1. Quem pendeu foi o CQC o cara é fera sem mais o cara e verdadeiro no que faz…. Sou fan se for diferente nao é rafinha basto

  2. ele deveria focar apenas na internet
    é aqui que estamos
    nao assisti a série por que nao achei os ultimos 6 pra baixar
    assisti os primeiros por que baixei
    nós não vamos sair da internet pra ver TV
    mesmo que seja por ele
    a Liga só assisto pelo YouTube rs
    Rafinha tem que entender isso
    a internet vai lhe render muito mais do que a TV

  3. Prezado Leandro
    Parabéns pelo texto,claro objetivo e principalmente pelo uso adequado do espaço..Nunca li nada do amigo até agora ,mas como leio muito e de forma variada , aprendi a reconhecer a honestidade de quem escreve Continue Leandro ,você é necessário..
    E a propósito : onde o Rafinha está eu também estou,aliás,…….há 37 anos!
    Julio Hocsman

  4. Infelizmente a realidade é esta… Um humorista faz uma piada e o “povo” se revolta… o sistema “fode” o povo todo dia e a galera dá risada!!! Tá “SERTO”!!!

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