O futebol coxinha de Caio Ribeiro

Caio Ribeiro: insosso até no videogame.

Caio Ribeiro: insosso até no videogame.

Caio Ribeiro é um profissional inusitado.

Quando jogador, era contratado para marcar gols.

Raramente os fazia.

Tanto que passou dois anos em grandes clubes italianos sem chegar perto das redes.

Encerrou a carreira aos 30 anos, com a obscena média de 0,17 tentos por partida.

Agora funcionário da Globo, recebe um salário para emitir opiniões.

Em cinco anos de cabine de transmissão, dá algo em torno de 0 opiniões por partida. Só não é mais chapa-branca que a Dilma Bolada.

Caio Ribeiro tinha medo de enfurecer a torcida adversária com seus gols.

Caio Ribeiro tem medo de enfurecer a torcida, seja ela qual for, com suas opiniões.

A principal função da equipe de transmissão de um jogo de futebol é entreter o público quando o espetáculo é de baixa qualidade.

Por acaso, na última quarta-feira, 14 de agosto, Corinthians e Fluminense protagonizaram um espetáculo de baixa qualidade.

Cléber Machado notou de imediato o rumo do bate-bola. E, já no primeiro tempo, se mobilizou para transformar a partida em um show do intervalo de longa duração.

Enquanto as câmeras insistiam no pebolim humano, ele mobilizou a boa estrutura global.

Acionou os repórteres de campo, trouxe estatísticas dos jogadores, exibiu gols dos outros jogos, ditou a classificação dos outros clubes, fez prognósticos sobre o São Paulo, tirou dúvidas sobre arbitragem com Leonardo Gaciba. Não tinha mais fôlego na empreitada porque ao seu lado estava o comentarista que prefere não comentar.

Aos 30 minutos do segundo tempo, Cléber repassou a Caio uma das famigeradas perguntas de internauta.

A dúvida da vez era mais cretina que o projeto político de Marina Silva. Algo como: “Quem está em melhor fase? Luxemburgo ou Tite?”.

O Paulo Henrique Ganso da década de 90 pensou. Patinou. Mordeu o beiço. Passou manteiga de cacau logo depois. Para dizer que “no momento, Tite está um pouco acima de Luxemburgo”.  E acrescentar que Vanderlei “é um grande treinador”.

Não existe justificativa plausível para um “especialista” de futebol colocar um treinador campeão mundial apenas “um pouco acima” de um profissional que não monta um grande time desde 2003. Ou Caio Ribeiro não entende de futebol ou Caio Ribeiro não quer se indispor com seus colegas. Desconfio que ele fique entre as duas opções.

Existe no Brasil o temor de que os novos estádios, cujos ingressos são vendidos a preços bem salgados, patrocinem a proliferação dos torcedores “coxinha”, aqueles cidadãos que precisam ser avisados pelo placar eletrônico sobre os momentos de vaiar, gritar e cantar.

Sou muito tranquilo em relação a isso. Porque é óbvio que o tempo se encarregará de diminuir o interesse turístico dessas arenas, empurrando os preços das entradas para a média de sempre. É a lógica democrática e intuitiva do mercado.

Assim, o único temor que devemos ter em relação ao espírito do futebol é o da proliferação dos comentaristas “coxinha”, em sua ditadura de elogios velados e afagos simpáticos.

Porque futebol é jogado dentro e fora de campo.

Para cada ação deve haver uma provocação.

Quando o esporte virar algo político, insosso, é porque vestir a camisa do Palmeiras ou do Corinthians não vale mais a pena.

É porque o futebol vale menos que a carreira de Caio Ribeiro.

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