O “Fala Que Eu Te Escuto” também é filho do “Pânico”

Reprodução da cena. A "sentença" da Igreja Universal foi anunciada sexta-feira, dia 2.

Reprodução da cena. A “sentença” da Igreja Universal foi anunciada sexta-feira, dia 2.

“Festas, curtição e exageros: alegria passageira, na noite vale tudo ou só ultrapassa o limite quem bebe muito?”.

Foi com esta pergunta que o “Fala Que Eu Te Escuto” abriu a histórica edição de 2 de agosto.

Vítima de uma bunda branca sem passagens pelo Monte Sinai, o programa religioso mais visto do Brasil escolheu um tema “polêmico”, ligado à juventude, para se pronunciar sobre o trote defenestrado pelos irmãos Consentini.

Como sempre, dezenas de advogados, médicos, diretores-comerciais, acionistas da Telexfree e cientistas sociais enfileiraram-se no telefone e no Skype para prestar assistência intelectual. Apesar do horário, apesar dos temas, apenas profissionais bem-sucedidos, felizes, coerentes e com carro importado pago à vista costumam se manifestar no programa. Prosperidade e intelecto andam lado a lado, afinal.

O Bispo Clodomiro Santos mediava os chamados, as reprises das matérias do “Jornal da Record” e os teasers do trote preparados exatamente para fisgar o pessoal do zapping – prática comum nos áureos tempos de “Superpop” e “Boa Noite, Brasil”. Somente às 2 horas da madrugada, quando surgiu uma vinheta mal feita, idêntica a da finada “Sessão do Descarrego”, a matéria-verdade foi ao ar.

Quase ancorada por um advogado, a fita mais aguardada da semana revelou a parte óbvia da confusão. A Igreja Universal (de maneira legitima, diga-se) vai processar a família dos adolescentes. A surpresa ficou por conta do editorial dos pastores, exibido enquanto a equipe técnica rebobinava o VHS do Law & Order do Brás.

Emulando a Supernanny, o Bispo Clodomiro logo de saída emendou um “Você está vendo, Graziele? O problema que você trouxe pra sua vida? E pra vida do seus pais?”. Em seguida, separou o mundo entre “pessoas sérias” (os profissionais ricos que ligam para o “Fala Que Eu Te Escuto”) e os “bobões” (os desocupados que ligam para o “Fala Que Eu Te Escuto” sem anunciar a profissão e o carro estacionado na garagem). Não satisfeito, colocou na conta do humor a cretinice dos adolescentes, até batizando essa nova geração, descoberta por ele, de “filhos do Pânico”.

Não é a primeira vez que a Igreja Universal virou tema de galhofa na TV. Os pastores já enfrentaram encostos, gente rouca, mulheres boca-suja, vozes do Google Translator. Alguns, confira você mesmo no You Tube, até riem do ridículo a que são expostos. Nunca repudiaram, nunca processaram, nunca recomendaram um copo de água a mais sobre o televisor. A súbita mudança de postura, por mais cristalina que seja, não deixa de demonstrar um temperamento de… “filho do Pânico”.

Nada é mais “Pânico” do que a espetacularização dos fatos. Foi graças a esse expediente que surgiram quadros como “Sandálias da Humildade”, “Volta, Clô”, “Autoriza, Silvio”, entre outros clássicos do humorístico. Até pode existir a carga “sentimental” no coração dos bispos, pastores e afins, mas não deixa de surpreender a coincidência entre dor e furor. A disposição em copiar o “programete” que tão negativamente influencia os jovens. Basta lembrarmos que um dia após o trote, o “Fala Que Eu Te Escuto” pulou para 5 pontos de média, batendo o “Programa do Jô”.

Sobre o tema do programa? Bem, na minha opinião, de noite vale tudo. Até mostrar a bunda via Skype.

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