Emily Thorne não venceu o ibope

"Revenge" não é unanimidade na TV aberta, mas faz grande sucesso na TV paga. O Sony exibe a produção.

“Revenge” não é unanimidade na TV aberta, mas faz grande sucesso na TV paga. O Sony exibe a produção.

A Globo lançou “Revenge” com honrarias de novela das nove.

Atormentou a todos com repetidas chamadas em sua programação noturna, exibiu declarações dos protagonistas em seu portal, produziu matérias no Fantástico. Até assumiu as semelhanças entre o enlatado e “Avenida Brasil”, último sucesso do Projac. Tudo para aproximar o telespectador desabituado a ver série.

Na primeira semana, a estratégia global obteve sucesso. Exibida após o Fantástico, “Revenge” marcou 15 pontos de média, arrasando SBT, Band e Record. Com o tempo, porém, boa parcela desse ibope  inicial começou a minguar. A liderança folgada virou saudade e, desde 14 de julho, a Globo emenda 2 capítulos seguidos da série, para esgotar o quanto antes a primeira temporada. Victoria Grayson corrompeu os terminais de medição do Ibope?

A Globo é mais responsável pela queda de “Revenge” do que a própria série ou seus concorrentes.  Se foi acertada a decisão de vender o dramalhão como novela, houve também falta de malícia da emissora na hora de examinar a lógica de seu próprio público.

O problema entre o telespectador brasileiro e o formato “série” não tem a ver apenas com a profundidade psicológica ou a estrutura da narrativa. O elemento que realmente influi nessa relação é o entendimento das pessoas a respeito do tempo. No caso, o tempo delas, não o da  ficção.

A audiência brasileira é acostumada a ver nas novelas o desenvolvimento de narrativas extensas, dotadas de começo, meio, fim e alguma linearidade. As séries nunca foram vendidas assim. Neste “palco”, o fator primordial para o reconhecimento de tipos dramatúrgicos é o intervalo de exibição da história. Aquilo transmitido diariamente é, independente de ser boa ou não, novela. Aquilo transmitido semanalmente, independente da embalagem utilizada pela emissora, é série. E ai daquele que tentar enganar a convicção do dono do controle remoto.

Caso “Revenge” fosse exibida de segunda a sexta, como outras séries no passado (Lost, 24 Horas etc.), os 15 pontos do primeiro capítulo dificilmente desapareceriam até a season finale.  Enquanto a Globo não explicar para o público geral o que é uma série, nenhuma estratégia de lançamento surtirá efeito a longo prazo. O primeiro passo talvez tenha sido dado no começo deste ano, com a criação de uma faixa especial de enlatados. Não fosse exibida após o “Programa do Jô”, essa experiência renderia resultados mais rapidamente, beneficiando ela e o telespectador.

Em tempo: “Revenge” só tem graça porque é tosca. Agradeçam a Globo por ter vendido mal o produto.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s