O tempo não tira o brilho de “O Segredo de Brokeback Mountain”

Filme venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.

Filme venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.

Para vencer o preconceito devemos criar leis que fomentam mais intolerância ou apresentar argumentos conscientes?

“O Segredo de Brokeback Mountain” não é um ensaio sobre a vida. Está longe disso. No entanto, poucos foram os filmes que conseguiram transmitir uma mensagem tão sutil de convivência e respeito.

Lançado em fevereiro de 2006 durante o turbilhão de críticas sobre sua indicação ao Oscar de Melhor Filme, Brokeback foi considerado uma propaganda arrogante para a causa homossexual por abordar o amor entre dois caubóis, símbolos da masculinidade americana.

Pois bem. O filme não é propaganda gay. A escolha por dois homens, claro, tem muito a ver com a repercussão que isso causaria. Funcionou. O filme de 14 milhões de dólares arrecadou mais de 180 milhões. Mas existe ali, camuflada, a razão de existência dos personagens de Jake Gyllenhaal e Heath Ledger.

Desempregados, eles aceitam um trabalho no campo. Isolados no lugar que batiza o filme, começam a conversar, a se aproximar. Ficam muito amigos. Começam a se relacionar. Apesar do vínculo selado, arrumam esposas e tentam viver alheios ao passado. Não conseguem e começam a se encontrar novamente, sempre em Brokeback. Aos poucos, o segredo deixa de ser segredo. Vira tribunal.

Separado e sem a guarda dos filhos, Ennis Del Mar (brilhantemente interpretado por Heath Ledger) telefona para a casa de Jack Twist (Jake Gyllenhaal). Atendido pela esposa dele, recebe uma inesperada notícia: seu companheiro morreu.

Em um raro momento de genialidade de Ang Lee, geralmente afeito a obviedades, as cenas da execução de Jack são exibidas enquanto Ennis é reportado da causa “oficial” da morte: um pneu estourado.

Disposto a buscar as cinzas do amigo e espalhá-las em Brokeback, pedido feito para a ex-mulher, vai até a casa de Twist. Encontra uma família amargurada, presa no vazio. A mãe permite que ele vá ao quarto, onde a camisa manchada de sangue, marca do primeiro encontro deles na montanha, está guardada. Não levou as cinzas, mas conseguiu recuperar o marco inicial do relacionamento. Reservou um espaço em seu guarda-roupa para pendurá-la, como um troféu.

Ennis se despede do público em lágrimas. Verte o choro da solidão. O choro de quem traiu os próprios sentimentos sem saber exatamente o porquê.

O preconceito é isto. Impedir a identidade dos outros. Roubar a personalidade alheia. Fustigar a liberdade. “O Segredo de Brokeback Mountain” é só mais um romance americano. Com final triste e drama bem alinhavado. Uma jornada intimista e, ao mesmo tempo, explícita sobre a intolerância que prende e sufoca pessoas, independentemente de suas características, crenças ou diferenças.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s