Series finale de “House” foi certeiro

English: 2009 FOX WINTER TCA: (L-R) Hugh Lauri...

 Hugh Laurie  durante gravação

Séries icônicas, relevantes, como é “House”, raramente agradam em seus finais. Baseadas em uma abordagem psicológica dos personagens, o norte  do ensemble show, elas acabam sem respostas claras. Sem o letreiro “fim” acompanhado por música festiva.

É verdade que no caso específico de “House” não existe tristeza no minuto derradeiro. House e Wilson resolvem sair por aí. Um morreu – legalmente – e o outro em breve seria derrotado por um câncer terminal. Assim, decidem aproveitar ao máximo a lindíssima amizade iniciada em 2004. Mas a que custo surgiu a falsa impressão de felicidade ilustrada?

Vejamos. “Everybody Dies” começa com nova crise do médico. Melhores que os embates de House com pacientes, equipes, diretores, cidadãos e psicólogos são seus embates internos. Deles surgiram duas passagens maravilhosas da série: a brilhante analogia da morte registrada em “Wilson’s Heart” e o tilt do final da quinta temporada, quando ele alucina.

Aqui, o flerte com o suicídio foi novamente intenso. Amber, a asa negra de House nas cenas clássicas citadas acima, volta a provocá-lo. Não só ela, aliás. Em um esforço valioso, alguns dos nomes já “aposentados” no seriado voltaram para participações especiais. Cuddy, questão contratual bem resolvida e divulgada, não compareceu. Nem precisava.

Ele se recupera a tempo, é claro. Renova as forças e vai adiante. Alguns fãs o compararam à fênix. Uma grande bobagem, porque a retomada é válida apenas até a próxima crise. O personagem simulou a própria morte, sacaneou Wilson durante o funeral de mentirinha, mas continua preso a seus temores de solidão, que só vão piorar. Afinal, ele perderá o melhor amigo. É irreversível. Logo, não tem letreiro “fim” acompanhado por música festiva. O “people don’t change” é um mantra metalinguístico.

Muitos viam em “House” a história de uma pessoa complexa em busca da alegria. Em nenhum momento isso foi passado por David Shore, criador deste que é o melhor drama produzido para a TV aberta americana desde Twin Peaks. A série sempre abordou algo muito mais interessante: a incapacidade de ser feliz. Atrás do humor negro, da inteligência emocional e da personalidade apurada interpretada pelo genial Hugh Laurie havia alguém interessado em encarar a vida como todos vivem. Não porque é melhor, mas sim por ser mais fácil. Menos doloroso.

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