Ascensão e Queda de Augusto Liberato

Gugu ficou new age.

Gugu ficou new age.

 

O que aconteceu com o Gugu?

O apresentador, dono de um contrato invejável, saiu da Record pela porta dos fundos. Não por brigas, mas pelos resultados pouco edificantes alcançados por seu programa homônimo. Contratado para levar a emissora de Edir Macedo ao caminho da liderança, só não foi beliscado pelos infomerciais da RedeTV! – um pecado, porque o “Superpapo” tem um roteiro muito convincente.

A ascensão de Gugu começou no dia 2 de março de 1996, um sábado, quando o jatinho do grupo Mamonas Assassinas acertou em cheio a Serra da Cantareira. No dia seguinte, com um esquema especial sobre a tragédia,  o “Domingo Legal”, seu programa na época, atingiu média de 37 pontos no ibope na faixa das 12h10 às 15h30. O pico foi de 47. A Globo minguou 13. Uma surra e tanto, que transformou a cabeça do apresentador.

Para quem nunca viu, ou simplesmente não se lembra, aqui está disponível uma cópia parcial do referido “Domingo Legal”. Mesmo no SBT, emissora que nunca deu bola para o jornalismo, Gugu e seu diretor, Magrão, conseguiram entregar um produto final bastante interessante. Algumas passagens, claro, foram extremamente desnecessárias. O cinegrafista do “Aqui Agora” não precisava ter coletado objetos das vítimas para apresentar no palco. Nem era necessário tirar a Mãe Dinah da casa dela, a mulher que prevê mortes, mas não acerta a concordância nominal. Nada absurdo, porém.

A guinada para a prestação de serviço e o jornalismo, fórmula seguida até hoje por outros programas do gênero, ficou ainda mais forte com o passar do tempo. Munido de um helicóptero, Gugu virou o “moço da rebelião”, principalmente nos anos 2000 e 2001. Toda semana apresentava uma confusão em presídios. Em uma época onde a internet ainda era encartada em CDs de 48 horas de acesso, a referência mais próxima de notícia em tempo real aos domingos era justamente o “Domingo Legal”. Por consequência, os números respondiam instantaneamente o esforço.

Calcado no dinamismo, o programa abria diversas frentes. Havia a informação, havia o entretenimento, havia a polêmica. O ibope minuto a minuto ditava o ritmo e a duração de cada atração. A repórter Silvana Kieling, por exemplo, ganhou notoriedade ao passar uma noite na cadeia de Votorantim. Era o “Sentindo na Pele”, quadro que hoje lembra um bocado alguns formatos americanos.

Os sabonetes da “Prova da Banheira”, mais genuína manifestação social do Brasil, também aqueciam os índices do “Domingo Legal”. O casting só ficava completo com as presenças das personalidades, algumas internacionais, que faziam fila para aparecer ao lado de Liminha e Luiza Ambiel. Quando Van Damme ensaiou um acasalamento com Gretchen, 44% dos televisores sintonizaram o SBT. Nunca uma ereção com trilha sonora de conga conga conga marcou tanta audiência no país.

O Gugu brejeiro, de entonação exagerada e trejeitos cuidadosamente ensaiados começou a brochar no dia 7 de setembro de 2003. Uma falsa entrevista com integrantes do PCC arranhou a credibilidade do animador, apontado como sucessor de Silvio Santos. Dali em diante, o que se viu foi um homem envergonhado. O homem envergonhado contratado pela Record por um valor surreal.

A toada assistencialista adotada por Gugu para recuperar sua imagem foi, paradoxalmente, o passo decisivo para o declínio de sua carreira. Conforme os quadros de reforma de casas e reencontros familiares ganharam espaço, o público tradicional do animador foi desligando o televisor. Porque nunca reconheceu em Augusto Libertado traços filantrópicos. Os laços entre apresentador e os telespectadores sempre ficaram no território da galhofa. Da trilha incidental pesada para noticiar o atropelamento. Da encoxada na modelo no game entre homens e mulheres. Da pegadinha que termina com todas as “Felinas” tirando a roupa no chuveiro.

Enquanto Gugu não mergulhar na banheira para afogar sua versão “new age”, dependerá eternamente de anões. Da boa vontade de emissoras que aceitam pagar milhões para empatar com a Eliana. Ou perder.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s