Pode ser futebol. Pode ser assessoria de imprensa.

Carlinhos Brown

Carlinhos Brown

A primeira partida da seleção brasileira no remodelado Maracanã não teve show dentro de campo. Nem caxirolas arremessadas na cabeça do Carlinhos Brown (uma pena). Em compensação, teve a melhor aula de assessoria de imprensa aplicada no país.

A transmissão da Globo começou bem antes do início do amistoso contra a Inglaterra. Vários repórteres foram escalados para apresentar o Rio de Janeiro cenográfico da Copa. O transporte público foi elogiado. O entorno foi elogiado. As vans com insulfilm não foram elogiadas porque Eduardo Paes proibiu o uso da película nos veículos – uma agressiva medida contra a violência da cidade.

A Cidade Maravilhosa da mentira recebeu os melhores figurantes do país, para garantir a coerência do espetáculo. Debochamos por décadas da imagem do americano feliz, de avental, assando hambúrgueres no quintal para saciar a fome da família perfeita e dos vizinhos vestidos como imbecis. Nosso castigo demorou, mas chegou. Durante o “pré-jogo”, um sorridente repórter encontrou torcedores fotografando passarelas, no passo a passo para a entrada no estádio. O orgulho de ser brasileiro sempre oferece um espetáculo de profundo estupor. De profunda vergonha.

Na cabine da Globo, não havia ninguém tirando foto. Mas abundava a tal felicidade. Galvão celebrou mais de uma vez a nova cultura que o Maracanã trazia para o país. Por muito tempo tentei adivinhar qual era a tal nova cultura. Cogitei ser o desperdício de dinheiro público essa nova cultura, mas descartei a hipótese logo em seguida, porque isso é bem velho.

Outra novidade agitada foi a estreia de Ronaldo na função de comentarista. O ex-jogador foi muito competente. Poucos jogadores conseguiriam emendar os eufemismos do Fenômeno, por exemplo. Poucos conseguiriam mudar de assunto como ele, também. A cada falha do meio de campo da seleção, um elogio descabido surgia. Era a cadeira com certificação Fifa, a beleza… até o barulho da torcida serviu pra cobrir os muitos erros dos volantes, sobretudo no segundo tempo.

Os velhos vícios, claro, não cessaram. Pioraram, na verdade. Galvão ainda narra gols do adversário com o entusiasmo de um disco do Smashing Pumpkins. Casagrande continua generoso demais em relação a Neymar. Disse, após o segundo gol da Inglaterra, que o jogador não consegue render,  mas que a culpa não é dele, nem do treinador e nem dos colegas. É de quem? Do capital? Da publicidade? Do outono? Do Barcelona? Muricy Ramalho era mais criativo.

Para a alegria da TV e da torcida presente no estádio, autêntica como a plateia do programa do Celso Portioli, o segundo gol da Inglaterra não foi o derradeiro. O Brasil conseguiu empatar. Dentro de campo. Fora de campo, continuamos levando de goleada. Com muito orgulho, com muito amor. Porque somos brasileiros.

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