Um dia com a TV Brasil

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Monica Bergamo publicou na edição de 22 de maio da Folha de São Paulo dados “confidenciais” sobre a audiência da TV Brasil.

Os números em questão, enviados aos conselheiros da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), são bastante desalentadores.

Lançado em 2008 para colaborar com a “democratização da mídia”, o canal marcou na capital paulista apenas 0.05 de ibope entre os dias 15 e 21 de abril. No dia 14 de abril, durante a programação infantil, o melhor resultado do mês: uma hora seguida com 0.6 – a única sem “traço” (leia-se zero audiência). Protofascismo de controle remoto?

A publicação destes números me causou um grande e sincero espanto. 0.05 é um resultado muito ruim, mesmo para quem não tem compromisso de fazer sucesso. A MTV, emissora segmentada, não fecha uma semana com 0.05. O culto da Igreja Universal exibido durante a madrugada na RedeTV! não marca 0.05. Para aplacar minha dúvida sobre a repulsa do público, resolvi fazer o que ninguém faz com frequência. Eu sintonizei a emissora. Por um longo período. Doze horas. Um diagnóstico certamente surgiria. E, de fato, surgiu.

Comecei a maratona às 10h00. A primeira coisa que surgiu na tela foi uma batata. Antes que eu pudesse raciocinar, mais três batatas surgiram. Após uma piada muito ruim, elas começaram a cantar. A música era pior que a piada. No fim da apresentação, outra piada. Vibrei com os créditos finais. Cinco demorados minutos. Um detalhe chamou minha atenção.  A animação não era brasileira, mas sim americana. Paradoxal, diria.

Até a hora do almoço, vi uma porção de desenhos educativos. Todos muito adequados às crianças. Até uma versão genérica de Mafalda eu descobri. Chama-se Cedric. Tenho certeza que ele seria candidato a deputado pelo partido da Marina Silva. Escrevo isso porque, sem desmerecer o desenho, os dois pensam de maneira parecida.  Entre uma e outra atração, as batatas “American Idol” voltavam. E com elas, uma questão: por que o país da cota nacional na TV paga não incentiva as produções tupiniquins em uma TV pública?

A grade infantil da TV Brasil teve uma breve pausa entre 12h00 e 12h30. É nesta faixa que o canal exibe a primeira edição de seu telejornal, o “Repórter Brasil”. Como eu sabia que a edição principal era exibida às 21h00, não fiz uma análise muito crítica. Mas não deixei de reparar no cuidado dos repórteres com os releases do Governo.

Como eu já suspeitava, as batatas retornaram assim que o noticiário acabou. Após outra piada desastrada, resolvi chamar uma delas de “Bruno Mazzeo”. Era a metida a intelectual. No fim da canção, pensei na regressão do mercado musical. De 1998 para cá, tivemos padres cantores, pastores cantores, o Otto e as batatas.

Se a boa vontade na hora de apostar em novidades locais inexiste, a TV Brasil me pareceu bem esperta na hora de escolher os produtos consagrados. Para inflar a grade vespertina, ela exibiu “Cocoricó” e “Peixonauta”, duas grifes da animação para as crianças. Às 16h00, após “Clube do Travesseiro”, um seriado americano ruim como os folhetins de Iris Abravanel, a maratona infantil teve um ponto final.

Mais seis horas

O primeiro programa adulto que eu pude conferir não foi exatamente uma novidade. O “Sem Censura” é um velho conhecido. Exibido desde os tempos de TVE, seu formato jamais mudou. Vários figurões da cultura e da política ficam reunidos em torno de uma mesa.  Por 90 minutos, fazem uma acirrada competição para definir quem fala mais bobagem. O empate é o placar mais frequente. Leda Nagle decide o campeão.

Às 18h00, depois de um programa sobre esportes radicais, conferi um experimento chamado “Estúdio Móvel”. Nele, a apresentadora, um protótipo de moradora cool da Vila Madalena, convida o público para uma expedição em busca de novos talentos e elementos de resistência criativa. Peguei no sono quando os convidados começaram a falar sobre “pensamento corrente da população”. Acordei às 20h35, no meio da propaganda eleitoral obrigatória. Segundo a grade de programação, deixei de conferir alguns enlatados e um programa de Ancelmo Gois.  Fiquei aliviado.

A primeira risada do dia custou para aparecer. Só às 20h40 eu gargalhei. Foi no momento em que uma senhora apareceu (pensei ser a batata cantora nos primeiros segundos) para anunciar o início de um programa chamado “O Púbico na TV”. Achei bem sacada a ironia. Colocar a palavra “público” no título de um programa que dá traço de ponta a ponta. Não sei se eu pensaria nisso.

O tema do tal programa, criado para a ouvidoria da EBC responder dúvidas do público (aqueles e-mails dos participantes do “Teste de Fidelidade” parecem mais verossímeis que e-mails de telespectadores da TV Brasil), era teledramaturgia.

Três minutos bastaram para a apresentadora do “O Público na TV” e a convidada, cujo nome felizmente não me recordo, enveredarem para o fetiche do controle de mídia.

Para elas, o grande problema da teledramaturgia brasileira é a influência da iniciativa privada. Pelo que eu entendi, o país tem gente mal educada e despreparada porque as novelas exibem sacolas do Carrefour quando deveriam propagar a ética e a moralidade. A classificação indicativa não daria conta desta questão porque ela não é suficiente pro governo avaliar quais programas influenciam o jeito de ser das pessoas. A EBC tem muito apreço a valores, desde que nenhum deles seja a liberdade.

Durante o intervalo comercial, a preocupação da TV Brasil em oferecer dramaturgia de qualidade foi ilustrada com o anúncio de um seriado francês. Enquanto importuna as emissoras, que mal ou não produzem novelas e séries, movimentando o mercado, a rede estatal exibe produções francesas. E produções francesas ruins, como “O Conde de Monte Cristo”.

No retorno do programa, a apresentadora, apanhando do teleprompter, chamou algumas gravações do público. Em um momento, a expressão “influência maléfica da TV e da internet” foi utilizada. Nem a lepra foi tão ofendida. Outra telespectadora, e parabenizo a equipe do programa pelo esforço de localizá-la, perguntou o total de horas que uma criança pode ser exposta à TV. Como se a TV fosse Césio 137.

A última parada da noite foi a edição principal do “Repórter Brasil”. Mesmo sem sua estrela, Emir Sader,  o jornal é bastante interessante.  A vinheta de abertura, por exemplo, reúne todos os elementos da identidade nacional.  Da nossa diversidade de fachada, da nossa união fantasiosa. Em flashes, aparecem índios, crianças e as bicicletas, promovidas à condição de resistência no ano passado.

As pautas eram pouco informativas. Para um jornal de 60 minutos, a única cobertura bem feita foi a de esportes. Uma feira de “comércio justo” foi o grande destaque. Não sei quanto custou essa feira, mas ela não trazia nenhuma inovação. Difícil entender a novidade na negociação entre produtor e consumidor. Só mesmo quem vê maléfica influência da TV e da internet pode desconhecer princípios básicos do mercado.

Outro destaque foi uma feira de cultura LGBT. Procurei o Laerte em todos os momentos, mas não encontrei. Vai artesanato, vem artesanato, a matéria mostrou algumas pessoas encenando esquetes contra as doenças sexualmente transmissíveis. Foi possivelmente a maior ofensiva brasileira contra a AIDS desde sempre.

Aguardei a despedida dos três âncoras – o jornal tem mais apresentadores do que telespectadores – para trocar de canal. Conferir algo sem batatas, Leda Nagle e gente descolada.

A TV Brasil foi inventada para atender a “antiga aspiração da sociedade brasileira por uma televisão pública nacional, independente e democrática”, uma dessas máximas graciosamente inventadas para conferir um pouco de superioridade aos brasileiros.  Ela não é nacional, porque abusa do conteúdo estrangeiro. Também não é democrática, porque apenas implica com a iniciativa privada. Só é independente. Independente de público.  E vai continuar assim por um bom tempo. Porque é feita por gente que não entende a TV. Por gente que não entende o público. Por gente que entende e avalia a semiótica do traço. Traço que não sai barato.

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O que você não deve assistir no fim de semana prolongado

Brazilian actress Denise Fraga.

Denise Fraga lidera “3 Teresas”

Prestação de serviço no “Teleguiado”.

Na contramão da maioria dos veículos e blogs sobre TV, que publicam release até da TV Gazeta, nós vamos, uma vez por semana, analisar a programação das emissoras e indicar O QUE NÃO DEVE SER ASSISTIDO.

É uma ideia cretina, óbvia, mas felizmente virgem. Ninguém fez isso antes. Tenho umas teorias sociais para tamanha falha, mas não quero a Marilena Chauí me ofendendo depois.

Preparados? Vamos à lista. Agradeçam meu esforço compartilhando o texto nas redes sociais, enviando sugestões e, mais importante, enviando dinheiro pro blogueiro aqui.

 
Fique longe de…

“Espelho, Espelho Meu”
Quinta-feira, 0h, Telecine Premium

Por que não assistir? Primeiro bom motivo: Julia Roberts. Se ela já parece insuportável fazendo o papel de mocinha ferrada que dá a volta por cima nos 15 minutos finais, imagine só ela no papel de vilã. Nesta livre adaptação de conto de fadas, ela é a rainha má. Para ser literal, a rainha má na interpretação. Lily Collins, a “mocinha” da história, merece menção especial. Conseguiu construir uma “Branca de Neve” indie. Suas expressões, não raro, lembram Amélie Poulian – outro bom motivo pra ver o “Medalhão Persa”.


“Battleship”
Quinta-feira, 22h, Telecine Premium

Por que não assistir? Rihanna tem um objetivo: ser a nova Whitney Houston. Na categoria “consumo de drogas”, arrisco dizer que já superou. Em relação à música e cinema, não. Sua atuação em “Battleship” é absolutamente mecânica. Ela não consegue nem fingir que tem intimidade com as câmeras. A adaptação do jogo da Hasbro também é um desastre em relação ao roteiro. Você já é obrigado a aguentar “Diamonds” no rádio a cada 15 minutos. Tire uma folga da Rihanna pelo menos na TV.


“E Aí… Comeu?”
Sexta-feira, 19h55, Telecine Premium

Por que não assistir? Antes, vou deixar bem claro: não sou funcionário da HBO. É que a programação do Telecine Premium está realmente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a. Fica difícil citar os outros canais quando uma reprise de “E Aí… Comeu?” é sacada. Bruno Mazzeo, o rapaz que cobra obras intelectuais no Twitter, é a mente brilhante deste marco do cinema nacional. As piadas, muito inteligentes, parecem todas extraídas de um velho quadro do “Canarinho”, na “Praça é Nossa”. Os trocadilhos, suspeito, foram retirados de um programa ainda mais antigo. Enfim, chegamos ao século 21 para ver a primeira chanchada sem sexo e sem graça da história do Brasil.

 

Séries Nacionais 
Sexta-feira, das 21h30 às 23h30, GNT

Por que não assistir? O GNT reprisa às sextas, numa tacada só, suas quatro produções nacionais: “Copa Hotel”, “3 Teresas”, “Surtadas na Yoga” e “As Canalhas”. O programador do canal, certamente sádico, faz isso na esperança do telespectador mais distraído considerar uma série um pouco melhor que as outras para, quem sabe, assisti-la fixamente. A estratégia teria fundamento se uma das quatro séries fosse minimamente melhor que a outra. Porque nenhuma delas é sequer regular.

“Copa Hotel” fica na velha lenga-lenga do “apresentar um mosaico dos brasileiros”. O pano de fundo é um hotel em Copacabana. Pior que a ideia é a execução, como sempre.

O conflito de gerações é a temática de “3 Teresas”, protagonizada por Denise Fraga. O humor, monótono, lembra demais as esquetes que a própria Denise Fraga fazia no “Fantástico”. Acho que ninguém quer isso de volta.

“Surtadas na Yoga” traz, de novo, Fernanda Young berrando. Dizem que Obama prometeu a Raul Castro o fim do embargo quando Fernanda Young mudasse de assunto e parasse de falar sobre gente estressada. Creio que foi uma maneira gentil de dizer “não vou anular o embargo”. Porque nós todos morreremos e Fernanda Young continuará lá, escrevendo “Surtadas no INSS”, “Irritadas no caixa rápido”, “Enfurecidas no caixa eletrônico”.

“As Canalhas”, baseada em um livro de Martha Mendonça, é uma versão envergonhada – e com piores atrizes – de “As Brasileiras” e “As Cariocas”, séries exibidas na Globo. O mesmo formato, óbvias diferenças nas histórias e a esperança dos 22 minutos passarem rapidamente.

O GNT já era um canal feminino mergulhado na menopausa antes das cotas de produtos nacionais. Conseguiu piorar. Irritante, diria Fernanda Young.

 

“Menino de Ouro”
Domingo, 10h, SBT

Por que não assistir? É um reality show de futebol. Apresentado pela Karina Bacchi. Acho que já respondi a questão.

O amadurecimento das séries

Tony Soprano

Tony Soprano, a grande obra de James Gandolfini

John Boy que nos perdoe, mas na televisão moderna ninguém se interessaria no cotidiano da família Walton. Nem suportaria a aborrecida cena do “Boa Noite”. Basta uma passada despretensiosa pelos números de audiência ou pelo volume de downloads para notar uma mudança radical no comportamento dos telespectadores.

O romance, o antagonismo clássico e as comédias com fundo familiar estão decididamente distantes do desejo do grande público, inclusive no Brasil, onde os índices das novelas estão em queda e os dos “enlatados” em alta.

Além da falta de tempo disponível para as pessoas acompanharem religiosamente a novela, ou mesmo um show à moda antiga, tipo Dallas, um fator de nome desconhecido no Brasil foi extremamente determinante para esta reorganização do mercado: a série Hill Street Blues.

Exibida na NBC, HSB não apostava em heróis, vilões ou soldados dotados de coragem absurda ou fonte sobrenatural de força. A aposta era na ordem natural dos acontecimentos. E no desenvolvimento psicológico dos personagens, o que ficou conhecido por ensemble show. 

Tratado quase como um experimento, uma espécie de episódio piloto, o ensemble  ganhou a confiança dos executivos e “enterrou” o formula show, cuja mecânica privilegiava a temática, no ano de 1990, quando a ousadia de David Lynch foi colocada em horário nobre na TV americana. Foi a busca pelo assassino de Laura Palmer, adolescente moradora da pequena e fictícia Twin Peaks, a faísca para a explosão de humor negro e ousadia dos projetos da televisão.

A obra, jamais exibida integralmente na TV aberta brasileira, tinha como temática os sonhos americanos. O caráter dúbio dos personagens, as entrelinhas carregadas e a repercussão, maior que a de HSB, trataram de eliminar a possibilidade de um retrocesso na qualidade das séries e abrir caminho para The Shield, Treme, Dexter, True Blood e A Sete Palmos.

Celio Ceccare, consultor e especialista em séries de televisão, reconhece a primazia conceitual da série policial, indicada pelos críticos mais exagerados como o embrião da espetacular “The Wire”, mas destaca outras duas produções para demonstrar a ascensão da complexidade: Família Soprano e The West Wing.

“As duas foram passadas como projetos autorais. West Wing é pra sempre a série do Aaron Sorkin, assim como David Chase é o criador de Sopranos. A maior parte das séries hoje em dia se configura através disso. Boardwalk Empire foi vendida como a série do Scorsese. Mad Men, do mesmo cara de sopranos. Elas ganharam um timbre”.

“The West Wing”, exibida em TV aberta nos Estados Unidos, foi produzida entre 1998 e 2006. A temática não poderia ser mais interessante: geopolítica. Mais especificamente: Conflitos na Casa Branca. Lançada na Era Clinton, a série atravessou o 11 de setembro, retratado em episódio especial considerado histórico, e a crise – moral, não a econômica – do governo Bush.

“Familia Soprano”, a série de maior sucesso da HBO, ilustra o cotidiano de um outro tipo de poder: a máfia. O sucesso de público e crítica esteve no contexto crítico da produção. As entrelinhas, e isto vale para tudo o que tem a assinatura de Alan Ball, contam mais histórias do que as falas dos atores.

“A série é bem maior do que a história de um mafioso. Ela mostra uma América onde os valores não têm mais importância e a cobiça e a pressão se tornam tamanhas que um chefe da máfia não consegue mais aguentá-la. O Tony Soprano se torna um herói exatamente por isso. Pois mesmo com todo o poder que ele tem, ele não consegue exatamente o que quer, ou saber o que quer”, afirma Ceccare, que realizou um estudo de Filosofia embasado na série.

Telas grandes, ideias não tão grandes assim

Uma questão, lançada de modo muito sutil pelo crítico Cassio Starling Carlos na publicação “Em Tempo Real”, a única de abordagem teórica e crítica sobre o desenvolvimento das séries, envolve diretamente a “moral” do cinema.

O argumento é direto. Se na década de 70 a televisão apostava nas comédias fáceis, nos dramas policiais de solução rápida ou na fantasia desenfreada, o cinema se encarregava de entreter os adultos, com enredos arrojados, originais e realistas. No século 21, houve a inversão destes valores. Os pais ficam em casa conferindo obras primas como A Sete Palmos, Mad Men e Banshee, enquanto os filhos colocam os óculos 3D.

A hipótese, nada pretensiosa, tem uma fundamentação que justifica, em parte, as diferenças entre cinema e seriado. O recurso do tempo, moldado pelos produtores para permitir o desenvolvimento meticuloso de tramas e personagens, tem prazo de validade nos filmes. Enquanto Alan Ball teve algumas horas pra desenvolver Beleza Americana, ele já contou com cinco temporadas para expor o enredo de True Blood – a sexta não contará com participação direta dele.

“Se você imaginar uma tela de pintura, o que acontece: a série se torna um ambiente propício para maior exploração dos personagens, o que o tempo em cinema não propicia. Como você tem uma tela maior, o produto vai ser diferente do que o do cinema, onde você tem de 90 a 120 minutos. O Scorsese foi para a HBO porque a história que ele tem pra contar precisa desse espaço maior para se desenvolver, assim como o Tarantino queria que Bastardos Inglórios fosse uma minissérie.”, diz Celio.

O outro aspecto apontado pelo especialista para ilustrar a diferença entre as estruturas narrativas é de ordem estratégica. O caminho para a recuperação dos recursos investidos na fita foi subvertido, exigindo uma resposta nova e imediata.

“Os grandes estúdios não têm interesse em fazer um grande filme, mas sim um evento, pois o sucesso comercial de um filme não se constrói mais como antigamente, com a crítica e a recepção do filme. Hoje há uma construção de marketing muito anterior ao lançamento, para a construção do hype e a recuperação instantânea do investimento”.

Good Night, John Boy. Good Night, Movies.

A cobertura de Neymar

A TV brasileira fez todo mundo chorar neste fim de semana.

A TV brasileira fez todo mundo chorar neste fim de semana.

Neymar vai cair no Camp Nou.
Por um caminhão catalão de dinheiro, o jogador e o Santos chegaram ao acordo que sacramentou a sua tão especulada saída do Brasil. Em agosto, quando a nova temporada do futebol europeu começar, o atacante vestirá a camisa da Barcelona.
A imprensa, como não poderia deixar de ser, empregou grande esforço na cobertura do ato final de Neymar. Pelo menos na TV, o que se notou foi uma latente espetacularização, caminho diferente dos jornais, portais, rádios e revistas.

A exceção 
A sexta-feira, data da decisiva reunião entre Neymar, Santos e os interessados em contar com o jogador, foi o único momento de alento da TV no fim de semana.
Todos os canais que optaram pela cobertura ao vivo do encontro, especialmente o Sportv, ofereceram ao público um ótimo trabalho.
A falta de informações definitivas naquele momento não foi utilizada por nenhuma emissora como desculpa para um bombardeio de suposições. O espirito da mesa redonda de TV aberta ficou longe, bem longe.

Menino bom senso morreu
Com o adeus confirmado, faltando apenas o anúncio de algum detalhe sobre o acerto com o Barcelona, o sábado de Neymar na TV foi… um horror.
Foram incontáveis as passagens ufanistas do gênero “Menino Neymar foi chamado para recuperar o Barça”.
Para piorar, os muitos clipes exibidos pelas emissoras com firulas e dancinhas traziam um tom quase fúnebre. Pareciam tributos à memória.
A ESPN ainda tentou fazer algo diferente, o que não significou fazer algo melhor.
Para comunicar a exclusividade na transmissão do Campeonato Espanhol, nova casa de Neymar, a ESPN fez uma vinheta engraçadinha, misturando imagens de sua carreira e do Barcelona. A trilha foi o estrabilho “Eu quero Tchu”.

Pra corar o Carpinejar
Brasil não é Brasil sem um bom discurso.
Desde o “Esporte Espetacular” até o “Fantástico”, o que se viu foi uma terrível competição de versinhos e frases de impacto.
Foram evocados: orgulho nacional, pés descalços, bandeira verde e amarela, juventude, garra, ousadia e todos os demais clássicos da oratória normalmente repetidos por quem deseja garantir o clímax.
Na despedida de Neymar, o único clímax foi desligar a TV.